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Exterior

Programa secreto de Israel pode ter 90 bombas atômicas

Vitória News 19/06/2025 08:17

O suposto programa nuclear secreto de Israel, que remonta à década de 1950, levanta questionamentos sobre a transparência do país no cenário internacional. Enquanto exerce forte pressão para que o Irã abra suas instalações ao controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Israel segue fora do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e não se submete a inspeções externas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nos primeiros cinco anos do projeto, a construção da usina de Dimona, ao sul de Jerusalém, foi mantida em sigilo absoluto. Conforme descrito pelo professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, da Universidade de Brasília (UnB), o complexo foi erguido “bem antes de 1958” por meio do Soreq Nuclear Research Center, sob coordenação da Israel Atomic Energy Commission (IAEC).

Estimativas de arsenal e principais fontes

As principais estimativas de ogivas nucleares demonstram variações consideráveis:

Fonte Ano da estimativa Quantidade estimada de ogivas
Federação de Cientistas Americanos (FAS) década de 2000 90
Ex-presidente Jimmy Carter 2008 150
Ari Ben-Menashe (ex-Mossad) 1973 13
Outras análises não oficiais até 300

Apoio externo e omissões dos EUA

SESC PICASSO

Os primeiros reatores israelenses teriam sido fornecidos pelos Estados Unidos no âmbito do programa “Átomos para a Paz”. Segundo o historiador Manoel Bandeira, mesmo sem consultar Washington, Israel iniciou seu programa nuclear, e a CIA só localizou Dimona anos depois, “se é que antes não o sabia”. Para o cientista político Ali Ramos, especialista em história da Ásia e do mundo islâmico, “os EUA fizeram vista grossa. Temos também o problema, desde sempre, da cooptação das agências de segurança dos EUA pelo lobby israelense. Acredito que a CIA e o FBI não avisaram ao presidente americano… da situação real da invasão da Baía dos Porcos, em Cuba”.

Além da colaboração americana, Moniz Bandeira registrou assistência da França, que teria cedido materiais e cientistas para a construção dos reatores israelenses.

Hipocrisia no direito internacional

O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), criticou a postura ocidental em relação ao programa nuclear de Israel:

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“Israel tem um programa nuclear que manipula, instrumentaliza e desenvolve à revelia da AIEA. Há uma abordagem enviesada do direito internacional. Para os inimigos, todo o rigor da lei internacional e, para os parceiros, como Israel, notório violador do direito internacional, há uma retórica contemporizadora para suas ações ilegais.”

O contraste entre a cobrança ao Irã e o silêncio diante de Israel ressalta uma assimetria na aplicação das normas de não proliferação.

Revelações de Mordechai Vanunu

Em 1986, o ex-técnico nuclear Mordechai Vanunu concedeu entrevista ao Sunday Times, revelando detalhes do programa israelense. Condenado por traição e espionagem, Vanunu passou 18 anos preso e, ao ser liberado em 2004, manteve restrições de movimento. Em declaração à BBC, afirmou:

“O que eu fiz foi informar o mundo sobre o que está acontecendo em segredo. Senti que isso não se tratava de traição. Era sobre informação, era sobre salvar Israel de um novo holocausto.”

Resoluções da ONU ignoradas

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Após o ataque israelense ao reator de Osirak, no Iraque, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução 487 de 1981, que condenou o bombardeio e pediu que Israel colocasse suas instalações sob salvaguardas da AIEA. Até hoje, esse apelo não foi atendido. Em 2009, nova resolução da AIEA instou o país a assinar o TNP e aceitar inspeções, porém Israel se recusou, alegando “direito soberano de qualquer Estado decidir se acedia a qualquer tratado”.

Impacto geopolítico e dissuasão

O programa nuclear israelense também atuou como elemento de dissuasão na expansão territorial. Em 1973, durante o conflito com Egito e Síria, o general Moshe Dayan colocou em prontidão 24 bombardeios B-52 armados com 13 ogivas, não com o objetivo de lançar, mas “induzir os EUA a conter a Síria e o Egito”, nas palavras de Moniz Bandeira.

Conclusão

A continuidade de um programa nuclear sem supervisão externa mantém viva a polêmica sobre a proliferação de armamentos estratégicos. Enquanto o mundo debate os limites da soberania e da segurança, Israel segue mantendo, em sigilo, um arsenal cujo tamanho exato permanece objeto de especulação e estudo de analistas e organizações internacionais.

Fonte: ABr
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