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Presidente da Comissão Europeia sobrevive a mais duas moções de censura

FolhaPress 09/10/2025 10:07

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Ursula von der Leyen sobreviveu nesta quinta-feira (9) a mais duas moções de censura no Parlamento Europeu. Em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia novamente demonstrou apoio sólido dos partidos centristas, que capitanearam sua reeleição no ano passado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Proposta encabeçada pelo grupo de ultradireita Patriotas pela Europa, que congrega, entre outros, o Fidesz do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, foi derrotada por 378 votos a 179. Uma segunda moção, proposta pela ultraesquerda, teve ainda menos apoio, com 383 a 133.

"Agradeço profundamente o forte apoio que recebi hoje", declarou Von der Leyen no X.

A chefe da UE já havia sobrevivido a um pedido da ultradireita em julho, com um placar mais apertado, 360 a 175. O crescimento no apoio é creditado a uma mudança de tom da conservadora alemã nas últimas semanas, pontuado por mais diálogo e cooperação com os legisladores que a sustentam no cargo.

Há três meses, sua principal linha de defesa era vincular os opositores à Rússia, afirmando que operações híbridas ordenadas por Moscou estariam por trás da veemência de alguns eurodeputados. As críticas, agora, estão mais apuradas, mostrando que a insatisfação na condução de temas divisivos deste seu segundo mandato permanece.

Não são poucos os assuntos que incomodam o Parlamento Europeu. Na política externa, vão da condução das negociações tarifárias com a administração Donald Trump, percebidas como muito concessivas aos EUA, à falta de pulso na reação à violência de Israel na Faixa de Gaza _motor, inclusive, da moção organizada pela ultraesquerda.

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No âmbito interno, liberais e socialistas, aliados de Von der Leyen, também receiam os efeitos e a amplitude da "simplificação", conjunto de políticas contra a burocracia no bloco econômico, que virou palavrão nos dois lados do espectro político.

É a grande promessa de campanha de Von der Leyen, que preocupa diversos setores da sociedade civil, ambientalistas à frente. Em manifestação na semana passada, um grupo de ONGs denunciou o que vê como desmonte ambiental da UE.

A flexibilização da legislação do continente, modelo para outros países, poderia minar ações urgentes no enfrentamento da crise climática, com eventos extremos cada vez mais evidentes. A Europa, apontam vários estudos, é o continente que sofre o aquecimento mais rápido no planeta.

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Do outro lado, a falta de competitividade do bloco e o excesso de regulação são apontados como fissuras não resolvidas por Bruxelas, exploradas constantemente pelo discurso nacionalista da ultradireita.

Ainda assim, parece haver um consenso no Parlamento Europeu de que, se a coisa não vai tão bem com Von der Leyen, sem ela seria ainda pior. Caso aprovada, uma moção de censura forçaria sua renúncia e de seu gabinete, lançando a UE no caos que não falta ao planeta neste momento e abrindo espaço justamente o populismo, que já prevalece em vários países do continente e, nesta semana, volta se insinuar na França.

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