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Premiê Sunak anuncia renúncia e deixará liderança conservadora no Reino Unido

FolhaPress 05/07/2024 10:02

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um gesto já esperado após a esmagadora derrota sofrida por seu partido nas eleições desta quinta (4), o conservador Rishi Sunak anunciou nesta sexta-feira (5) sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Ele também deixará a liderança do Partido Conservador.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Dei tudo o que pude nesta função, mas vocês [eleitores] enviaram um sinal claro que o governo do Reino Unido precisa mudar, e o julgamento de vocês é o único que importa", afirmou Sunak em um discurso do lado de fora da sede do governo, em Downing Street.

"Ouvi a raiva de vocês, seu desapontamento, e assumo a responsabilidade por esta derrota. A todos os candidatos conservadores e às equipes de campanha que trabalharam sem descanso, mas sem sucesso, desculpem-me pelo fato de que eu não pude entregar o que seus esforços mereciam", declarou.

Logo depois, ele apresentou sua renúncia ao rei Charles 3º no Palácio de Buckingham, em um rápido encontro. Em comunicado, o palácio informou que o rei aceitou o pedido, como parte da praxe da transferência de poder.

SESC PICASSO

Sunak levou seu partido ao pior resultado desde sua fundação em 1834 —faltando a definição de apenas 2 dos 650 assentos da Câmara dos Comuns até as 7h30 de Brasília desta sexta, a sigla já tinha perdido perdeu 251 lugares em relação a 2019 e seria representada por 121 parlamentares na nova configuração do Legislativo.

Líder do Partido Trabalhista, o grande vencedor do pleito, Keir Starmer será o novo premiê e encerrará um ciclo de 14 anos de governos conservadores. A legenda contará com 412 cadeiras (a definir ainda mais duas) e vai governar com ampla maioria. Em terceiro lugar ficaram os liberais democratas, com 71 assentos. A sigla de ultradireita Reform UK, do polêmico Nigel Farage, teve desempenho abaixo do esperado e conseguiu apenas 4 assentos, ante 13 a 15 nas projeções. Farage, ao menos, conseguiu pela primeira vez se eleger ao Parlamento.

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Poucas horas antes, no meio da madrugada local (fim da noite de quinta para sexta em Brasília), Sunal estava em seu distrito eleitoral, em Richmond e Northallerton, no norte da Inglaterra, para ser informado oficialmente de que havia vencido a disputa local e mantidos sua cadeira no Parlamento britânico.

Após ser declarado reeleito membro da Câmara dos Comuns, ele fez um rápido pronunciamento e pediu desculpas aos eleitores em uma "noite difícil". "A responsabilidade é minha", afirmou. Sunak, pelo menos, manteve o histórico de jamais um premiê em exercício perder sua cadeira, mesmo com seu partido derrotado na votação geral do país.

Já uma ex-premiê, a conservadora Liz Truss, que durou apenas 44 dias no cargo em 2022, não foi reeleita no distrito de South West Norfolk. Ex-líder da Câmara dos Comuns e até então uma das cotadas para chefiar o partido com a saída de Sunak, Penny Mordaunt também foi derrotada pelos trabalhistas no distrito de Portsmouth North.

Na breve fala da madrugada, o premiê em retirada parabenizou seu sucessor no cargo, Keir Starmer.

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Como determina a legislação eleitoral, Sunak ouviu o resultado das eleições em seu distrito ao lado dos outros candidatos —inclusive nanicos e sátiras, como o "Conde Cara de Lixo", personagem do comediante Jonathan David Harvey que se inscreveu para concorrer contra o premiê da mesma forma que havia se colocado como candidato em 2019 contra o então primeiro-ministro, Boris Johnson.

Sem um sucessor claro, começa a disputa interna no Partido Conservador para saber quem comandará a agora oposição. Penny Mordaunt, 51, era um nome forte, mas a perda de seu assento na Câmara praticamente a inviabilizou. Outra cotada era Kemi Badenoch, 44, ministra da Mulher e da Igualdade no governo Sunak e que foi reeleita no Parlamento. Uma opção por ela seria uma guinada mais radical à direita do partido. Defensora do Estado mínimo, é também conhecida por se opor a políticas de inclusão de pessoas trans —entidades a criticam por manter essa posição na pasta em que ocupava no gabinete do premiê.

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