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Premiê renuncia frente a pressão por reformas na Autoridade Palestina

FolhaPress 26/02/2024 14:06

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos principais líderes de uma organização atualmente em descrédito, o premiê da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mohammad Shtayyeh, anunciou nesta segunda (26) seu pedido de renúncia com o argumento de permitir que palestinos formem um consenso sobre os rumos de sua política em meio à guerra em Gaza.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A decisão ocorre em um momento em que há ampla pressão dos Estados Unidos para que o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, reforme a autoridade, à medida que os esforços internacionais se intensificaram para interromper os ataques a Gaza.

Constituída em 1993, a ANP governa apenas parcialmente a Cisjordânia, um território palestino ocupado cuja governança se assemelha a uma colcha de retalhos depois da divisão do território travada após os Acordos de Oslo —e que é desrespeitada até hoje.

A renúncia de Shtayyeh ainda precisa ser aceita por Abbas, que pode pedir a seu primeiro-ministro cessante que permaneça no cargo como interino até a nomeação de substituto permanente. Ele teria comunicado o presidente no último dia 20 sobre sua decisão, formalizada somente nesta segunda.

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Acadêmico e economista, o premiê assumiu o cargo em 2019. Em comunicado, seu gabinete disse que a próxima etapa da ANP precisa levar em conta a realidade de Gaza, devastada após quase cinco meses de intenso conflito armado. Quase 30 mil pessoas morreram na Faixa.

"A próxima fase exige novos acordos governamentais e políticos que tenham em conta a realidade emergente da Faixa de Gaza, as conversas sobre unidade nacional e a necessidade, urgente, de um consenso palestino", afirmou ele, que também falou sobre uma "extensão da autoridade da ANP sobre todo o território da Palestina".

Em jogo, como mostra a última frase de Shtayyeh, está a capacidade da Autoridade Palestina de governar uma Gaza pós-guerra, ainda que haja ampla descrença em relação a isso.

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Na última semana, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, apresentou a seu gabinete de segurança um plano para o pós-conflito que dizia que a autoridade de Gaza, hoje em mãos do Hamas, seria repassada para "funcionários locais não ligados ao terrorismo".

O plano não fazia qualquer menção à ANP.

O Fatah, grupo que controla a ANP, e o Hamas, a facção terrorista que governa Gaza desde os anos 2000, têm feito esforços para chegar a um acordo sobre um governo de unidade e devem se encontrar em Moscou, na Rússia, nesta quarta-feira (28).

Um alto funcionário do Hamas disse à agência Reuters que a medida deve ser seguida por um acordo mais amplo sobre governança.

Com sede em Dubai, o jornal Asharq News, citado pelo The Times of Israel, informou que até o final desta semana um novo governo deve ser formado —junto com o anúncio de um novo premiê, afinal, estão saindo todos os seus ministros.

O nome mais cotado é o de Mohammed Mustafa. Economista, ele lidera o conselho do Fundo de Investimento Palestino, um fundo independente estabelecido no início dos anos 2000 para organizar os investimentos na economia palestina.

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Ele seria visto, assim, como uma figura mais técnica, apropriada para ser responsável por liderar um plano para a reconstrução de Gaza.

Figura importante da oposição a Mahmoud Abbas, o ex-chanceler palestino Nasser al Kidwa —sobrinho de Yasser Arafat, histórica liderança palestina, morto em 2004— vinha pedindo um "divórcio amistoso" de Abbas e defendendo uma renovação da liderança palestina, quiçá incluindo membros do Hamas —o que, ao final, afastaria ainda mais a ANP de qualquer acordo com Israel ou seus parceiros ocidentais.

Em um artigo publicado pela The Economist em outubro passado, uma semana após o eclodir da guerra, Kidwa disse que a ANP "é impotente e não tem credibilidade, sobretudo aos olhos do povo palestino".

Também afirmou que era preciso uma "reestruturação" da Autoridade, o que exigiria a saída do grupo dominante de líderes, "incluindo o seu presidente de 87 anos [agora com 88], Mahmoud Abbas, através de uma transição cuidadosa".

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