Prejuízo de produtores rurais no RS, alta do cacau e o que importa no mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Como alta do preço do cacau pode encarecer o chocolate, a conta dos prejuízos dos produtores rurais no Rio Grande do Sul e outros destaques do mercado nesta segunda-feira (13).

**PREJUÍZO DE R$ 1 BILHÃO**

Cálculos da CNM (Confederação Nacional de Municípios) apontam que os prejuízos dos agricultores no estado gaúcho devem chegar a R$ 1,1 bilhão. Outros R$ 61 milhões em perdas irão atingir a pecuária.

Abre aspas: “Tenho medo de fazer conta [do prejuízo]”, afirmou Márcio Concli, produtor rural em Bento Gonçalves, na serra gaúcha. As chuvas da última semana impactaram sua produção de laranjas e bergamotas.

↳ A Folha de S.Paulo conversou com agricultores que relataram como a produção foi afetada.

↳ A região de imigrantes italianos ao redor de Bento Gonçalves é forte principalmente em hortaliças e frutas, a maioria a partir com agricultura familiar.

Mesmo com a ajuda bilionária anunciada pelo governo federal, a economia gaúcha deve ter forte retração:

– O PIB do estado deve cair 2%,; a previsão antes da enchente era de 3,5% de alta;

– O custo de deslocar cidades chega a R$ 30 bilhões;

– Impacto no restante do país deve ser principalmente via inflação.

A água que inundou a capital Porto Alegre resiste em baixar e até subiu de nível devido a novas pancadas de chuvas neste domingo, levando o lago Guaíba a voltar a ficar próxima de seu recorde de 5,5 metros. O estado acumula 143 mortos com a tragédia.

**CHOCOLATE SALGADO**

Temos um problema com o chocolate. A matéria prima do doce, o cacau, sofreu uma alta nos preços este ano, o que começa a ter efeitos no valor do produto no mercado.

O MOTIVO?

Uma safra menor em países como Gana e Costa do Marfim, fortes exportadores para Europa e EUA. Uma combinação de baixo volume de chuvas, doenças nas plantas e árvores envelhecidas levou à colheita mais fraca.

Prevista para terminar em setembro, a safra mais fraca levará a uma oferta global 11% menor, de 4,449 milhões de toneladas.

DE QUANTO FOI A ALTA?

A tonelada costumava girar em torno de US$ 2.500 (R$ 12.690). Em abril, chegou a bater US$ 11 mil (R$ 56.724) e agora está na casa dos US$ 8.000 (R$ 41. 254).

↳ Há quem aponte a atuação de especuladores no mercado financeiro, que usam a tendência de alta para reforçá-la ainda mais em suas operações no dia a dia e lucrar.

O cacau é uma commodity, uma matéria-prima. Isso significa que ele tem um valor negociado em Bolsa e deve seguir determinado padrão, assim como o milho, a soja, o petróleo. (Leia mais sobre a força das commodities no Brasil aqui).

O RESULTADO?

As multinacionais Hershey e Mondelez, grandes fabricantes de chocolate, anunciaram um reajuste entre 5% e 6% no início do ano para os mercados americano e europeu.

E NO BRASIL?

Até agora, os preços do chocolate acompanham a inflação, sem alta relevante. Desde o início do ano, barras e bombons aumentaram 1,61%, de acordo dados divulgados na última sexta pelo IBGE.

↳ O índice ficou abaixo da inflação média do país, que teve alta de 1,80% até abril.

**STARTUP DA SEMANA: QRED BRASIL**

A startup oferece crédito facilitado para pequenas empresas. Tem origem na Suécia e forte presença nos países nórdicos. Ela chegou ao Brasil em 2019 a partir de aportes liderados pela Webrock e pelo fundo internacional Atlant.

Em números: na última semana, a Qred captou R$ 25 milhões a partir da emissão de um FDIC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), que entra na categoria receivable funds. Conheça mais sobre os FDICs aqui.

Neste ano, fintechs brasileiras captaram US$ 211 milhões em receivable funds, superando o montante levantado em rodadas de equity, segundo a plataforma de dados Sling Hub.

A Qred afirma que vai ampliar a carteira de crédito dos atuais R$ 30 milhões em 60% nos próximos 12 meses. A intenção é fazer a expansão sem aumentar a inadimplência.

QUEM INVESTIU

A Nau Capital, familly office brasileira que recentemente abriu uma gestora, foi responsável pela estruturação da emissão.

QUE PROBLEMA RESOLVE

Facilita o acesso ao crédito a pequenas empresas.

POR QUE É DESTQUE

No modelo da Qred, o risco de crédito é compartilhado pela fintech com o investidor do FDIC. A estratégia da empresa é construir relação de longo prazo, em que oferece crédito constante para investimentos e fluxo de caixa.

Na Europa, a matriz da QRed hoje já tem status de banco, mas antes alcançou a posição de maior fintech do norte da Europa.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

BANCO CENTRAL

Divisão no Copom ameaça transição suave e consolida favoritismo de Galípolo. Risco de escalada na disputa interna do Copom leva a temor de maior ingerência política.

BANCOS

Com mais empréstimos, bancos ampliam lucros e expectativa por dividendos. Resultados de BB, Bradesco, Itaú e Santander no 1º trimestre superam estimativas de analistas.

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