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Prefeita de Paris se diz preocupada com dissolução do Parlamento da França ante Jogos Olímpicos

FolhaPress 10/06/2024 10:19

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, reagiu nesta segunda-feira (10) à decisão do presidente da França, Emmanuel Macron, de dissolver o Parlamento após a ultradireita avançar nas eleições legislativas da União Europeia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A medida, tomada pouco antes dos Jogos Olímpicos na capital francesa, é "extremamente preocupante", afirmou a socialista durante visita a uma escola ao lado do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach. Ela afirmou, porém, que "nada vai estragar" o evento esportivo.

Questionada se poderia "receber o mundo" com um possível primeiro-ministro de ultradireita, Hidalgo, que se disse surpresa com o anúncio de Macron, afirmou que receberá o mundo "como prefeita de Paris".

Tal cenário tornou-se uma possibilidade após o bom desempenho do partido Reunião Nacional (RN), liderado pela ultradireitista Marine Le Pen, nas eleições para o Parlamento Europeu. Segundo projeções, a sigla cresceu mais de oito pontos percentuais em relação ao último pleito do bloco e obteve 31,5% dos votos, mais que o dobro da aliança de Macron, que ficou com 14,5%.

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Segundo o jornal Le Monde, o percentual do RN, que poderá ficar com 30 das 81 vagas da França no Legislativo, foi o melhor resultado de um partido francês nas eleições europeias em 40 anos.

Diante do resultado, Macron dissolveu o Parlamento da França e convocou eleições para os dias 30 de junho e 7 de julho —cerca de 20 dias antes do início das Olimpíadas. "Tenho confiança na capacidade do povo francês de fazer a escolha mais justa para si e para as gerações futuras", afirmou Macron na rede social X na manhã desta segunda.

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Apesar dos temores, Bach afirmou que as eleições são "um processo democrático que não vão atrapalhar" o evento. "Vemos uma grande unidade a favor dos Jogos de Paris", afirmou o presidente do COI. "A França está acostumada a realizar eleições e elas serão realizadas novamente. Haverá um novo governo e um novo Parlamento e todos apoiarão os Jogos."

Assim como Bach, o presidente do Comitê Organizador de Paris-2024, Tony Estanguet, também estava na visita à escola desta segunda. "Já tivemos que enfrentar adaptações que foram difíceis, uma dezena de eleições desde a criação do comitê de candidatura e sempre soubemos trabalhar com atores públicos. Estamos na última fase (...), todas as principais decisões já foram tomadas", afirmou ele.

No mercado, porém, a decisão já repercutiu —na manhã desta segunda, o euro operava em queda enquanto a Bolsa de Paris caía em um cenário de venda generalizada na Europa em reação ao anúncio de Macron.

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"As notícias da França causaram um fator de risco em torno dos ativos europeus", disse o diretor de investimentos da BlueBay Asset Management, Mark Dowding. "Pode oscilar um pouco mais, mas precisamos lembrar que essa é uma eleição parlamentar, não uma eleição presidencial na França."

A Alemanha, que viu o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) superar uma série de escândalos e ficar em segundo lugar nas eleições europeias, não está considerando uma eleição antecipada. "Em nenhum momento houve qualquer indicação de que novas eleições ocorreriam", disse um porta-voz do governo.

O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, porém, manifestou-se sobre os resultados. "Precisamente no dia seguinte às eleições europeias, digo: nunca esqueçamos os danos causados na Europa pelo nacionalismo e pelo ódio", afirmou o político ao lado de Macron durante uma cerimônia em Oradour-sur-Glane, cidade francesa arrasada pela Alemanha nazista.

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