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Porta-voz do Irã reage à UE e diz que direito internacional não impede país de controlar Ormuz

Estadão Conteúdo 18/04/2026 20:09

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou neste sábado que nenhuma regra do direito internacional proíbe o país de tomar medidas que impeçam que o Estreito de Ormuz seja usado para agredir Teerã militarmente.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A declaração foi uma resposta a um post da chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, na qual a líder apontou que, sob a lei internacional, o trânsito por vias navegáveis como Ormuz deve permanecer "aberto e gratuito". "Qualquer esquema de pagamento por passagem estabelecerá um precedente perigoso para as rotas marítimas globais. O Irã deve abandonar qualquer plano de cobrar taxas de trânsito", advertiu Kallas em sua conta no X.

Baghaei, por sua vez, defendeu na mesma rede que o Irã, por ser um Estado costeiro, pode tomar as medidas cabíveis para que o Estreito não seja usado para realizar agressões militares contra o país. O porta-voz criticou, ainda, a posição da União Europeia, a quem chamou de hipócrita.

"Oh, aquele 'direito internacional'?! Aquele que a UE tira do armário para dar lições aos outros enquanto silenciosamente dá sinal verde para uma guerra de agressão EUA-Israel - e desvia o olhar das atrocidades contra os iranianos?!", questionou.

"Poupe-nos dos sermões; o fracasso crônico da Europa em praticar o que prega transformou seu discurso de 'direito internacional' em hipocrisia máxima", acusou Baghaei.

SESC PICASSO

Segundo ele, a "ficção" de uma passagem de trânsito incondicional "navegou" no momento em que a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã trouxe ativos militares para "o quintal" do estreito.

Ghalibaf: ainda há "grande distância" entre EUA e país em negociações

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, embora Estados Unidos e o país persa tenham feito progressos nas negociações, ainda há uma "distância significativa" a ser percorrida. "Devemos obter garantias de que os EUA ou a 'entidade sionista' não iniciarão uma guerra contra o Irã novamente", disse Ghalibaf, referindo-se a Israel, em entrevista transmitida há pouco pela TV estatal iraniana.

Segundo o principal negociador do governo iraniano, as delegações de negociação de Washington e Teerã têm, agora, "uma compreensão mais pragmática" uma da outra. Restam ainda, porém, "diferenças significativas" na posições das duas partes, comentou.

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Ainda sobre as negociações, Ghalibaf disse que os EUA não alcançaram seus objetivos por meio de avisos e prazos e, por isso, começaram a enviar mensagens ao Irã através de intermediários.

O país persa, por sua vez, teria aceitado o cessar-fogo temporário para forçar Washington a atender as demandas iranianas. Já o presidente Donald Trump teria concordado com a trégua, de acordo com ele, porque o Irã foi o vencedor no campo de batalha.

"Trump não alcançou seu objetivo de mudar o regime e destruir nossas capacidades ofensivas e de mísseis, e o Irã não é a Venezuela", declarou o líder do parlamento iraniano.

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