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Porta-bandeira do Brasil ganha ouro e prata no mesmo dia em Paris

FolhaPress 02/09/2024 17:55

SAINT-DENIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Uma prata de manhã, um ouro à noite. Esse foi o saldo da brasileira Beth Gomes nesta segunda (2) nos Jogos Paralímpicos de Paris, em provas para competidores sentados.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Pela manhã, ela ficou em segundo lugar no arremesso do peso, na categoria F54, com 7,82 m. À noite, venceu o lançamento de disco na categoria F53, com 17,37 m na quinta de seis tentativas, novo recorde paralímpico.

O resultado da brasileira no arremesso do peso, mesmo insuficiente para o ouro, estabeleceu o novo recorde mundial da classe F53 (a marca anterior, 7,75 m, também era de Beth). Ela era a única finalista F53, contra sete arremessadoras da classe F54, cujo comprometimento dos movimentos é um pouco menor. O ouro ficou com a mexicana Gloria Zarza, com 8,06 m.

A paulista de 59 anos recebeu sua medalha de prata no pódio enquanto a prova da noite ainda estava em andamento -ela foi autorizada a lançar antes das adversárias para participar da cerimônia de premiação.

SESC PICASSO

Beth cortou um dedo ao badalar o sino cerimonial reservado aos campeões do Stade de France. "Meu sangue vai ficar em Notre-Dame", brincou, em referência ao fato de que o sino será instalado na catedral de Paris após os Jogos Paralímpicos.

Natural de Santos, ela foi ouro no disco nos Jogos de Tóquio, há três anos.

A atleta teve diagnóstico de esclerose múltipla em 1993, quando era jogadora de vôlei. Foi porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura dos Jogos, ao lado do nadador Gabriel Araújo, o Gabrielzinho.

Ela explicou que a esclerose múltipla provoca um cansaço maior e que precisou descansar bastante entre uma prova e outra para atingir um bom resultado.

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O ouro de Beth foi o segundo do Brasil no dia do atletismo. De manhã, Claudiney Batista dos Santos conquistou o tricampeonato paralímpico no lançamento de disco, categoria F56, com 46,86 m, novo recorde da competição.

Foi um dia de conquistas para o país no Stade de France. Além do ouro de Claudiney e do ouro e da prata de Beth, o Brasil ganhou uma medalha de prata -Aser Ramos, no salto em distância T36 (paralisia cerebral)- e uma de bronze -Vinícius Rodrigues, nos 100 ms rasos T63 (amputados de membro inferior com prótese).

O gaúcho Ramos dedicou sua medalha às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Sua família, em Porto Alegre, está abrigando outras famílias atingidas pela tragédia.

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O paranaense Rodrigues disse que queria o ouro para tocar o sino cerimonial dos campeões. Disse que tinha até planejado um ritmo especial de badaladas, para o público acompanhar batendo palmas.

Duas brasileiras se classificaram para a final dos 100 m rasos, classe T11 (deficiência visual), prevista para esta terça (3). Jerusa Geber dos Santos quebrou o próprio recorde mundial em sua semifinal, baixando a marca de 11s83 para 11s80. Lorena Spoladore fez o terceiro melhor tempo geral, com 12s07.

Destaque de Paralimpíadas passadas, Alan Fonteles ficou apenas em oitavo lugar na final dos 100 m classe T64 (amputados dos membros inferiores com prótese). O paraense ficou mundialmente famoso em Londres-2012, ao conquistar o ouro nos 200 m, derrotando o sul-africano Oscar Pistorius, então a maior estrela do paradesporto.

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