Polícia de Paris retira estudantes pró-Palestina de prédio da Sciences Po

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A polícia de Paris entrou nesta sexta-feira (3) na Sciences Po, uma das mais prestigiosas universidades da França, e desocupou prédios que haviam sido tomados por estudantes que protestavam contra a guerra na Faixa de Gaza.

Na Europa, os alunos da instituição são os mais engajados nas manifestações que questionam as ações de Israel no território palestino e que, segundo o Hamas, já matou mais de 34 mil pessoas. Os atos tiveram início após estudantes se mobilizarem em acampamentos em universidades de costa a costa nos Estados Unidos, mas, até agora, não ganharam a proporção das ações em solo americano.

Além disso, os protestos franceses não têm resultado em confrontos entre forças de segurança e alunos, ao contrário do que aconteceu em parte dos campi nos EUA. Nesta sexta, por exemplo, a polícia francesa entrou nos prédios ocupados e retirou, sem sinais de violência, muitos dos cerca de 70 manifestantes que estavam ali, segundo a agência de notícias Reuters.

Após a liberação do prédio, a instituição permaneceu fechada e policiais montaram guarda ao redor do edifício principal da universidade, no centro de Paris. O Comitê Palestino da Sciences Po divulgou parcialmente a operação policial nas redes sociais.

Em um dos vídeos, os manifestantes estão sentados no centro do salão do prédio em frente aos policiais, que levam os estudantes até a porta da saída, em alguns casos arrastados pelos braços e pelas pernas.

Um estudante que ocupou o prédio na noite de quinta-feira (2) disse à Reuters que os manifestantes recusaram um ultimato da universidade para desocupar parte do edifício. Na quinta, o diretor da Sciences Po, Jean Basseres, havia rejeitado as demandas dos manifestantes para revisar suas relações com instituições e entidades que tenham laços com Israel.

Fora de Paris, os campi da universidade em Le Havre, Poitiers e Dijon também foram bloqueados nesta sexta, assim como a biblioteca de sua unidade em Reims. Outros dois centros de ensino superior, em Lille e em Lyon, também foram palco de protestos.

O governo francês tenta desativar rapidamente os protestos para evitar um cenário como o dos EUA, onde houve prisões em pelo menos 40 campi, segundo levantamento do jornal New York Times. “Ao contrário do que vimos em outros países, principalmente do outro lado do Atlântico, nenhum acampamento foi estabelecido de forma permanente”, afirmou, nesta sexta, o gabinete do primeiro-ministro, Gabriel Attal.

Nos EUA, os últimos episódios de tumulto em protestos pró-Palestina aconteceram na Universidade Nova York e na New School, onde 56 pessoas foram presas ao todo na manhã desta sexta, segundo a ABC News. Durante a noite, foram feitas prisões na Universidade Estatal de Portland e um acampamento foi desmontado pelos próprios estudantes na Universidade Rutgers.

Segundo o New York Times, mais de 2.000 prisões aconteceram em campi dos EUA nas últimas semanas. Cerca de 300 dessas detenções foram na madrugada da última quarta-feira (1º), no City College of New York e em Columbia -esta última o epicentro dos protestos americanos contra a guerra.

No meio da semana, o foco mudou para a costa leste dos EUA, na Ucla (Universidade da Califórnia em Los Angeles), onde um acampamento pró-Palestina foi atacado duas vezes em dois dias por apoiadores de Israel. Na madrugada de quinta, centenas de policiais desmontaram as barracas, em uma operação que prendeu mais de 200 pessoas, segundo autoridades locais.

Após duas semanas de protestos, a maioria das universidades americanas amanheceu mais calma nesta sexta. O movimento, porém, parece estar se espalhando para outros locais.

No Reino Unido, acampamentos foram montados em universidades em Manchester, Sheffield, Bristol e Newcastle. “A polícia já tem amplos poderes em relação à ordem pública para combater a desordem nos protestos e continuará a ter o nosso total apoio para o fazer, se necessário”, afirmou o porta-voz do primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak.

No México, dezenas de estudantes acamparam na maior universidade do país, a Unam (Universidade Nacional Autônoma do México), em protesto contra a ofensiva militar de Israel. Os manifestantes montaram barracas de campanha e hastearam bandeiras palestinas em frente à reitoria da universidade, na capital mexicana, além de pedirem que o governo rompa laços diplomáticos e comerciais com Israel.

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