Petróleo e dólar caros facilitaram recuo sobre dividendos da Petrobras

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A escalada das cotações internacionais do petróleo e a desvalorização do real frente ao dólar ajudaram a Petrobras a convencer o governo de que a distribuição de 50% dos dividendos extraordinários não terá impacto nos investimentos da companhia.

O pagamento será proposto pelo governo em assembleia de acionistas nesta quinta-feira (25), após um processo conturbado que gerou grande volatilidade sobre as ações da estatal e quase derrubou seu presidente, Jean Paul Prates.

No início de março, quando representantes do governo no conselho vetaram a distribuição dos dividendos, a cotação do petróleo Brent girava em torno de US$ 83 (R$ 431) por barril. Chegou a superar US$ 90 (R$ 468) na última semana, com o aumento da tensão no Oriente Médio, e hoje está em US$ 87 (R$ 452).

O dólar custava pouco menos de R$ 5 e agora é negociado em torno de R$ 5,20. Exportadora de petróleo, a Petrobras se beneficia dos dois movimentos.

No comunicado em que anunciou mudança de percepção do conselho sobre o tema, a empresa citou os dois fatores como justificativa para o recuo.

O plano atual considerou que o preço médio do Brent ficará em R$ 404 (US$ 80 a um câmbio de R$ 5,05) em 2024, caindo gradualmente até atingir R$ 343 (US$ 70 a R$ 4,90) em 2028.

O cenário mais favorável reduz o risco de descumprimento do plano de investimentos para os próximos cinco anos, que por causa do longo prazo está sempre sujeito a intempéries como quedas abruptas do preço do petróleo, disse uma fonte.

Ainda em março, a direção da Petrobras defendia que a distribuição de 50% do lucro excedente de R$ 43 bilhões não prejudicaria as finanças da companhia, que fechou 2023 com US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) de sobra de caixa, em comparação com o valor de referência previsto para o ano.

Porém, influenciado pelos ministérios da Casa Civil e de Minas e Energia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou a distribuição no primeiro momento.

A decisão deflagrou uma escalada nos desentendimentos entre Prates e o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Nesta segunda-feira (22), Prates defendeu a retenção de metade dos valores em uma reserva de lucros, que tem o objetivo de garantir a remuneração dos acionistas em períodos de geração de caixa mais apertada.

“Por que isso é importante? Porque você pode ter realmente um fato mais à frente e ter uma expectativa de dividendos menor, fazendo com que a ação caia”, afirmou, em entrevista após evento em São Paulo.

A Petrobras também divulgou comunicado reforçando o argumento de que os investimentos não são afetados. No texto, diz que foi a empresa do setor de petróleo que mais ampliou investimentos em 2023, quando gastou quase o dobro do ano anterior.

Os investimentos, destacou, “são realizados prioritariamente com recursos próprios da Petrobras gerados pelas suas operações”.

A dívida bruta, prosseguiu, segue limitada a US$ 65 bilhões (R$ 338 bilhões), patamar considerado saudável para empresas semelhantes.

“A Petrobras tem excelentes projetos, capazes de gerar retornos expressivos e garantir o futuro da companhia”, afirma, na nota, o diretor Financeiro da estatal, Sergio Caetano Leite. “Estamos investindo com responsabilidade, foco na disciplina de capital e compromisso de manter o endividamento sob controle.”

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