Na noite de sexta-feira (21), a escola de samba Pega no Samba, do bairro Consolação, encerrou os desfiles do grupo de acesso com um espetáculo repleto de magia e mitologia. Sob o enredo "Pembelê, Sereias de Zambi", a escola mergulhou na história de seres femininos, mitológicos e aquáticos, cultuados há séculos no continente africano, levando ao Sambão do Povo uma narrativa que mistura beleza, mistério e tradição.
Fundada em 1976, a Pega no Samba já conquistou títulos importantes, incluindo o campeonato do grupo de acesso em seu primeiro ano de desfile. Neste Carnaval, a escola contou com 2 carros alegóricos, 3 tripés, 13 alas e aproximadamente 1.000 componentes, demonstrando toda a sua garra para retornar ao grupo especial. O enredo deste ano celebra as "donas do mar, rainhas dos rios, soberanas em lagos e lagoas", seres poderosos, sagrados e místicos que habitam o mundo dos encantados.
Jorge Mayko, carnavalesco da escola, destacou que as expectativas estão altas e que a preparação ocorreu dentro do cronograma planejado. "A escola está num momento de muita expectativa, uma vez que temos o Carnaval sem atrasos. O samba tem sido muito abraçado pela comunidade, o que nos deixa ainda mais animados", afirmou. Mayko também ressaltou que o desfile foi pensado para ser compacto e visualmente impactante, com cores vibrantes que se destacam especialmente durante o dia. "Teremos um desfile bem aceso, de acordo com o horário, e o final será especialmente colorido", completou.
O samba-enredo, intitulado "Pembelê, Sereias de Zambi", é uma homenagem às divindades aquáticas africanas, como Oxum e Yemanjá, e celebra a força, a ancestralidade e a resistência cultural. Com versos como "Firma o batuque, raiou o sol, transborda de alegria" e "Pembelê! Divina luz, no 'pega' sua estrela nos conduz", a música embalou os passos dos componentes e encantou o público presente.
A Pega no Samba também reforçou sua mensagem de combate ao preconceito e de valorização da cultura afro-brasileira. O enredo destacou a importância das tradições ancestrais e a luta contra a intolerância, temas que ressoam cada vez mais na sociedade contemporânea. "Herança dos meus ancestrais, intolerância jamais", diz um dos trechos do samba, reforçando o compromisso da escola com a diversidade e o respeito.
Com suas cores oficiais — azul, vermelho e branco — a escola prometeu e cumpriu: levou ao Sambão do Povo um desfile repleto de beleza, emoção e significado. Agora, a torcida é para que o espetáculo garanta o tão sonhado retorno ao grupo especial, consolidando a Pega no Samba como uma das grandes representantes da cultura carnavalesca.
Confira o samba-enredo da Pega no Samba:
Firma o batuque, raiou o sol
Transborda de alegria
Meu pavilhão, lava a alma na avenida
Kaia tondele, nkisi ê
A locomotiva vem no toque do xirê.
Luanda, mística e sagrada
Em suas águas nascem o poder: agô!
Pescadores festejam na areia
As filhas de zambi, negras sereias
Balaio e oferendas jogadas ao mar
Jingomas regem o baile das marés
Um ritual de gratidão e fé
Kianda, seus filhos lhe aclamam.
Ora iê iê mamãe oxum
Odò ìyá yemanja
Rainhas das águas
Tocam os tambores para lhe saudar.
Na paz... da eternidade
Seus filhos te transformam em entidades
Seguindo o cortejo divinal
Ancestral, fonte de inspiração
Na luta contra o preconceito
A preta pele que impõe respeito
Pembelê! Divina luz
No "pega" sua estrela nos conduz
Intolerância jamais
Herança dos meus ancestrais
Oorun brilha na cachoeira
A lua desponta no mar
Ao erê a missão de transformar.