Partido governista da África do Sul tenta formar coalizão que inclua esquerda e direita

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O CNA (Congresso Nacional Africano), partido histórico de Nelson Mandela e do atual presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse nesta quarta-feira (5) que quer tentar formar um governo de unidade nacional que inclua os principais partidos do país, da esquerda à direita.

Entretanto, as outras siglas que tiveram resultados relevantes nas eleições do último dia 30 rejeitaram a proposta por enquanto. Depois de 30 anos governando a África do Sul sem precisar de alianças no Parlamento, o CNA sofreu uma derrota histórica e teve seu pior resultado eleitoral desde o fim do apartheid, em parte por conta do desemprego e de apagões que se tornaram sinônimo da crise da principal economia da África.

O partido perdeu 71 assentos no Legislativo, caindo de 230 para 159 e ficando abaixo dos 200 parlamentares necessários para obter maioria na Casa. Em segundo lugar veio a sigla de centro-direita AD (Aliança Democrática), liderado por John Steenhuisen, membro da minoria branca do país. Os outros partidos relevantes são de esquerda: o MK, do ex-presidente Jacob Zuma, e o CLE (Combatentes da Liberdade Econômica).

Autoridades do CNA disseram que estão conversando com todos esses partidos para tentar chegar a um acordo. “Nesse momento, o objetivo é formar um governo de unidade nacional, porque foi isso que o povo sul-africano expressou nas urnas”, disse a porta-voz Mahlengi Bhengu-Motsiri.

“Se o plano do CNA é convidar todos os partidos que tiveram resultado relevante para fazer parte do Executivo, o que incluiria o MK e o CLE, nossa equipe de negociação não vai ter autorização de aceitar uma proposta como essa”, afirmou o porta-voz da AD Werner Horn. “Nossa posição no momento é a de que não faremos parte de um governo que inclua esses partidos”.

O CLE não se manifestou sobre a possibilidade, e o MK rejeitou a proposta por enquanto, disse o CNA, que tem até o dia 16 de junho, data da posse dos novos parlamentares, para formar uma aliança.

Documentos internos do partido governista obtidos pela agência de notícia Reuters indicam que o CNA espera que, ao formar um governo de unidade nacional, o partido não precise fazer uma escolha impopular entre os parceiros de coalizão possíveis.

O texto alerta, entretanto, que um governo assim provavelmente seria instável e sujeito a impasses frequentes, dados os conflitos de opinião entre os partidos -enquanto a AD é pró-mercado, o MK e o CLE são a favor de nacionalizar o setor de mineração e bancos e de redistribuir terras de brancos na zona rural.

A porta-voz do CNA, Bhengu-Motsiri, descartou ainda a possibilidade de que o presidente Cyril Ramaphosa renuncie. “Ele guiou o barco muito bem até aqui, então ele não vai sair do cargo. E se alguém pensar que pode dizer que só vai negociar conosco se Ramaphosa sair, bem, pode esquecer, não vai ter conversa.”

Empresários pressionam o governo a entrar em uma coalizão apenas com a AD, cujo líder fez campanha reforçando a ideia de meritocracia e eficiência e a favor de privatizações e da desregulamentação da economia. Entretanto, aliados históricos do CNA, como o Partido Comunista da África do Sul e a principal central sindical do país, já se disseram contra essa aliança. “Somos contrários a uma coalizão com as forças neoliberais, direitistas, e anti-CNA da Aliança Democrática”, afirmaram os comunistas.

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