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Paixão pelo Corinthians ajudou torcedor mirim a superar crises sensoriais

FolhaPress 02/04/2025 10:27

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Jorge tem o mesmo nome do padroeiro do Corinthians, está sempre com uma camisa alvinegra e ama futebol. Prestes a completar 4 anos, no próximo dia 16, a criança que aparece sorridente em várias fotos nas cadeiras da Neo Química Arena evoluiu muito desde a primeira visita ao estádio.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O início da relação entre o pequeno corintiano e a fiel torcida foi difícil. Isso porque uma das principais características do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a dificuldade de processar muitos estímulos pela hipersensibilidade sensorial —sejam ruídos, luzes e até cheiros. O intenso barulho e a multidão da Arena desencadeavam as crises sensoriais em Jorge, que é uma criança autista.

"Quando a gente levou o Jorge pela primeira vez em Itaquera, para assistir a um jogo do Corinthians, foi quando a gente percebeu um dos traços mais marcantes do autismo nele. Ele começou a gritar muito por conta da multidão, do barulho. Ele colocava as mãos sobre os ouvidos, começava a gritar e ficava se batendo. Foi muito difícil e desafiadora a primeira vez dele no estádio", afirma Dayuri Priolean, mãe de Jorge, ativista e bióloga, à reportagem.

SESC PICASSO

Porém, a primeira experiência não frustrou os pais, Dayuri e Victor, que apostaram no estádio como um local para colaborar no desenvolvimento do filho. A empreitada deu certo, e Jorge criou gosto por acompanhar o Corinthians presencialmente. Inclusive, as idas ao estádio se tornaram pedido recorrente.

"A gente continuou levando mais vezes para que ele se acostumasse com o ambiente. Então, nesta quarta-feira (2) em dia ele está bem mais acostumado, tanto que agora brinca [na Arena] e grita 'gol do Corinthians'", diz Dayuri.

Outro ponto fundamental para habituar o menino ao clima de estádio foi a sala sensorial para crianças autistas da Arena. O espaço tem visão para o gramado, brinquedos educativos e vidros que ajudam a abafar o som das arquibancadas, além de protetores auriculares disponíveis.

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"A Neo Química Arena é referência em acessibilidade. A gente vê que lá já tem a sala sensorial para as pessoas autistas ficarem, até para evitar algum tipo de crise sensorial. Só que o Jorge também é cadeirante, né? Então, às vezes, a gente encontra alguns obstáculos para passar com ele no meio da multidão ou por conta de algum espaço mais estreito. No geral, lá é um espaço bem adaptado, bem acessível", afirma Dayuri.

"NASCEU GAVIÃO"

Dayuri é torcedora do Santos, casou com Victor, um corintiano, e não esconde que foi voto vencido com a escolha de Jorge pela equipe alvinegra da capital paulista.

"O pai dele fica todo feliz, né? Eu sou santista, só para deixar isso bem claro, mas o Jorge optou por ser corintiano igual ao pai, então eu acompanho quando ele vai para Itaquera, porque sou uma boa mãe, né?", conta Dayuri, aos risos.

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Aliás, os próprios torcedores dizem que o menino já "nasceu gavião", pela resiliência que apresentou desde a maternidade. Ao nascer, foi constatado que o pequeno alvinegro tinha mielomeningocele, uma malformação na coluna que faz meninges, nervos e medula se projetarem para fora. Após a cirurgia imediata para correção, ele passou 25 dias na UTI Neonatal lutando para viver.

A história de resistência de Jorge inspirou membros da Gaviões da Fiel, que "abraçou" o torcedor mirim em visita recente à sede da agremiação.

"Lá na quadra da Gaviões, ele ganhou a camiseta do Ernesto [Teixeira, puxador da escola de samba]. Aí colocaram ele no colo e saíram gritando: 'Nasceu gavião! Nasceu gavião!'. Eu achei aquilo maravilhoso", diz.

"É um espaço que ele gosta muito de ir, e anda pelo chão da quadra inteira. É um espaço onde a gente se sente muito acolhido, percebe que a torcida tem esse carinho com ele também. E isso é uma coisa que mexe muito com a gente, né? Quando a gente é mãe, olha para uma criança de três anos e vê que ela foi incorporada de uma forma tão grandiosa pela torcida, fica muito feliz."

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