Pacientes reclamam de demora em pronto-socorro no Hospital do Servidor Público em meio à dengue

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pacientes do HSPE (Hospital do Servidor Público Estadual), na região Sul de São Paulo, têm enfrentado mais de oito horas de espera por atendimento. Além da superlotação, eles reclamam de problemas de estrutura e limpeza da unidade.

O inspetor escolar Devalcil Antônio de Moura, de 62 anos, diagnosticado com pneumonia na tarde de terça-feira (9), aguardava até as 14h40 desta quinta-feira (11) por um leito para internação. Já são dois dias completos de espera no hospital, sem voltar para casa.

“Agora é orar, pegar na mão de Deus e torcer para que tudo isso passe logo”, disse o paciente.

De acordo com ele, há uma fila de 17 pessoas na sua frente e nenhuma previsão para a desocupação de um leito. Moura conta não ter tido suporte como alimentação ou itens de higiene por parte do hospital nesse tempo de espera.

Após o contato da reportagem, o Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo), que administra o Hospital do Servidor, disse que segue comprometido com a melhoria contínua e humanizada dos atendimentos. A unidade busca adotar todos os cuidados para o cumprimento dos protocolos institucionais que garantam a segurança assistencial e conforto.

Sobre o caso de Moura, o instituto afirma que o servidor não quis esperar a reavaliação médica, depois de fazer exames e foi embora, logo, não havia espera por internação para ele. “O paciente retornou hoje (11), passou por novo atendimento médico às 6h49 e realizou exames laboratoriais e de imagem no PS. O resultado saiu às 10h26. Ele já passou por reavaliação médica e será internado ainda hoje”, diz a nota.

Em nova nota divulgada nesta quinta-feira (11), após a publicação do texto, o Iamspe disse que o paciente em questão foi internado.

O problema de atendimento no HSPE foi revelado pela TV Globo. Depois da reportagem veiculada pela emissora, o Iamspe informou que foi criada uma comissão gestora para o pronto-socorro, com o objetivo de encontrar soluções de melhoria.

A reportagem esteve no pronto-atendimento do hospital na noite de quarta (10) e no início da tarde desta quinta-feira (11) e constatou que, dois dias depois da primeira reportagem sobre o caso, servidores que dependem do serviço hospitalar ainda enfrentam as mesmas questões registradas há dias. Hoje o tempo médio de espera para o atendimento é de duas a quatro horas.

Marise de Souza, 58, acompanhava a mãe Maria José, 85, que também está com pneumonia. Elas deram entrada no PS às 21h de quarta-feira e passaram pelo primeiro atendimento médico logo em seguida, às 22h. Apesar disso, por causa da necessidade de internação, atravessaram a madrugada no local esperando. Nesta manhã, por volta de 11h, Maria José foi transferida para outro hospital da rede, onde conseguiu a internação.

“O problema aqui é que a logística se perde, e pelo que sei, falta profissional. Apesar disso, é importante ressaltar que quando se é atendido é ótimo, eles são superatenciosos”, diz Souza.

Em meio a uma epidemia de dengue e ao aumento do número de casos de Covid, unidades de saúde e de pronto-atendimento em SP enfrentam lotação. Muitas das pessoas que esperam por atendimento relatam sintomas de uma das duas doenças.

Uma servidora que não quis se identificar chegou ao hospital com o marido, ele com sintomas de dengue e ela com Covid. No caso deles, o primeiro atendimento foi rápido, cerca de 20 minutos, mas ela foi surpreendida com a falta de teste para diagnóstico do coronavírus no hospital.

“Eles disseram que mesmo na pandemia não faziam. O médico orientou que eu fosse até uma farmácia e comprasse um teste. A gente está achando péssimo, os funcionários atenciosos mas a percepção é que é tudo bagunçado”, afirma.

DEMORA PARA AGENDAR CIRURGIAS

Outra reclamação entre os servidores é a demora para marcar consultas e cirurgias. Em janeiro, o Iamspe lançou um novo serviço online de solicitação desses serviços, mas a demora para conseguir o agendamento também é alvo de críticas.

Fernando Santos, servidor público, aguarda desde o início do ano para realizar um procedimento simples de correção estética em um dos olhos. Segundo ele, é impossível marcar uma data no portal. “Era para ser algo simples e eu já estou esperando há dois meses, sem previsão”.

O Iamspe oferece atendimento para aproximadamente 1,2 milhão de usuários por meio da rede credenciada em 70 hospitais no estado de São Paulo. O Hospital do Servidor é o maior deles, com 700 leitos.

Em resposta à reportagem, o Iamspe afirma que adotaram medidas para melhorar o atendimento, como troca de gestores e criação de comissão gestora para administrar o pronto-socorro, além de orientar e agilizar os encaminhamentos dos pacientes; notificação para a empresa terceirizada que atua no PS para solucionar as queixas imediatamente, sujeito à multa e rescisão do contrato; nos casos cirúrgicos, disseram buscar o credenciamento de mais dois hospitais para dar suporte às cirurgias eletivas; e, por fim, disse estar em tratativas avançadas com o Hospital A.C. Camargo para ter uma retaguarda para realizar pré-avaliação oncológica, linha de cuidados e tratamentos na instituição.

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