Um não à fome do Covid 19 - Vitória News
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Opinião Pública
Um não à fome do Covid 19
Sérgio Rogério de Castro
Custo a aceitar, mas nesta pandemia de Covid-19 muitos brasileiros estão passando e voltaram a sentir fome. O número de pessoas que hoje se encontra nesta situação é chocante e há quem ainda não tenha se atentado para a gravidade do problema. Isso tudo é muito triste. Somos a esperança do mundo para que ninguém na face da Terra passe fome e, ao contrário, estamos vendo muitos irmãos compatriotas famintos por conta da redução dramática das oportunidades de trabalho, do desemprego em massa e da falta de uma postura mais contundente dos Governos.

Fato é que não existe emprego se as empresas, para salvar vidas, não podem trabalhar a plena carga. Para haver emprego é preciso que as empresas estejam funcionando. O número de negócios que fecharam por não poder manter as portas abertas - em função das corretas e necessárias medidas de isolamento social, vale dizer - é muito expressivo. O auxílio emergencial proposto pelo Governo Federal acabou em 31 de dezembro último e só está sendo retomado este mês, com valores reduzidos. Mais de 300 municípios criaram sistemas semelhantes e reforçaram programas de assistência. É preciso destacar que o auxílio emergencial, bem como outras iniciativas de amparo que foram tomadas desde o início da pandemia, foi extremamente relevante. Mas a situação do país continua crítica: estamos atravessando uma conjuntura geradora de fome, de desânimo e, não raro, de desespero. Dar continuidade às ações mitigadoras é fundamental, mas não basta. É fundamental que essas medidas sejam incrementadas, ampliadas e fortalecidas até que a pandemia seja efetivamente controlada por um estágio avançado do plano nacional de imunização. Que seja o mais breve possível!

Registros de fome massificada da população brasileira em nossa história recente remontam ao já longínquo ano de 1983, quando o país chegou a presenciar saques a supermercados e congêneres. Naquela época, milhares de pessoas participaram de um movimento de enorme solidariedade na sociedade brasileira.

Voltando a tratar dos dias atuais, trago os seguintes dados: no trimestre móvel terminado em janeiro último, os registros são de que tínhamos 14,3 milhões de desempregados (14,2% da força de trabalho), um dos maiores percentuais do mundo. Ampliando a avaliação, encontramos 32,4 milhões de trabalhadores subutilizados, o que corresponde a impressionantes 29% da população economicamente ativa. Um desastre!



A previsão da safra deste ano indica que produziremos alimentos para todos os brasileiros. O grande problema é que muitas famílias não terão renda para adquiri-los nas quantidades necessárias a uma alimentação minimamente digna. A inflação sobre os alimentos (arroz, feijão, óleo de soja, carnes) tem sofrido muita influência de alta pela grande demanda externa e pela enorme valorização do dólar, o que torna a situação ainda mais complexa.

Diante desse grave quadro, tenho para mim uma certeza: teremos de ser melhores do que fomos em 1983! Só assim conseguiremos combater o aumento da fome deste período crítico. Será necessária uma forte corrente de solidariedade da população brasileira nos seus diversos segmentos através dos governos, políticos, empresas, das associações (trabalhadores empreendedores, trabalhadores empregados, filantrópicas, moradores, clubes de serviço, religiosas, esportivas, culturais, educacionais, etc). Exemplos virtuosos já estão aí. Vejam o caso da iniciativa liderada pela ABRAS Associação Brasileira de Supermercados em parceria com a ONG Ação Cidadania para a distribuição de cestas básicas e também com os doadores de valores maiores, que serão convertidos em cartões de compra de alimentos de R$100,00, a serem distribuídos nas regiões indicadas pelos mesmos por meio de consulta aos cadastros dos municípios. Depoimento de um doador: “se cada um cuidar do seu terreno, a fome acaba”. O prazo necessário? De 6 a 12 meses, arrisco uma estimativa que me parece realista.