O carro adiante dos bois - Vitória News
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Opinião Pública
O carro adiante dos bois
Rubinho Gomes
Estamos mesmo numa época em que vaca desconhece bezerro, mas a qualidade dos nossos políticos segue ladeira abaixo. É verdade que, na eleição passada, as pessoas não tiveram tempo de conhecer nem de longe e muito menos de perto, os candidatos a prefeito e a vereador, por isto podemos dizer que muita gente boa votou de orelhada, sem prestar muita atenção no que estava fazendo e em quem estava elegendo para reger o destino de nossas cidades por quatro anos. Mas no ano que vem, quando teremos eleição para Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais tudo terá que ser diferente, não temos mais direito a equívocos, ainda mais que até lá todos estaremos imunizados contra a Covid depois de devidamente vacinados, mesmo que sejam necessários mais quatro ministros da Saúde para por ordem no fuzuê armado por Bolsonaro.

Da "gripezinha" (que agora ele jura que não foi ele quem assim batizou a pandemia, embora muitos vídeos provem o contrário) até chegarmos ao grosseiro filhote 02 que mandou "os jornalistas mequetrefes enfiarem esta história de máscara naquele lugar" mal cheiroso, passou-se mais de ano e de estapafúrdias posturas como a obsessão pela tal da cloroquina (hoje amaldiçoada no mundo inteiro), "eu não sou coveiro...", "e daí????", sem esquecer "essa maldita vacina chinesa do Dória" que a mãe dele tomou em duas doses demonstrando que alguém ainda tem o juízo no lugar nesta família. Foram tantas demonstrações de fraqueza, ignorância, deboche para com a Ciência e os cientistas que o Brasil ficou isolado no mundo e isto se refletiu na desvalorização de nossa moeda e de nossos produtos, neste início de bancarrota que afeta a vida, o bolso e o estômago dos brasileiros.

Mas não é somente o presidente que gosta de colocar o carro adiante dos bois. Quando exigiu por decreto que todos os prefeitos do Estado devolvessem o dinheiro que haviam recebido de convênios firmados com o governo anterior de Paulo Hartung (2015/2018) Casagrande mostrava ao Estado sua verdadeira face vaidosa, pois queria apenas deixar claro que as obras seriam dele e não do antecessor.

Quando, em 2013, mandou a PM sentar a borracha naquela passeata dos estudantes que não aceitavam o aumento das passagens de ônibus ("não é só pelos 15 centavos") quando vários jornalistas foram atingidos por gás de pimenta, Casagrande imaginou ter controle da situação e certeza de sua reeleição, e ele acabou derrotado por PH. Como não teve adversário em 2018, voltou ao Palácio Anchieta e passou a retaliar tudo e todos que haviam iniciado obras acertadas com o antecessor. Pura vaidade, como se a paternidade de obras fosse passaporte eleitoral...

Aliás, por falar nele, alguém pode dizer de quem é a paternidade do Cais das Artes, que o pintor Kleber Galvêas sabiamente batizou de "Caixotão das Artes" enquanto outros chamam de "mausoléu das artes"... Eu sei que se trata de um capricho da ex-primeira dama Cristina Gomes que PH resolveu assumir, ganhando em troca do arquiteto mundialmente premiado Paulo Mendes da Rocha os traços do projeto de sua suntuosa mansão secreta em Pedra Azul (a mesma para a qual o então casal governamental seguia de helicóptero para o finde nas montanhas quando houve o acidente que destruiu a aeronave). Ela deve abrigar inúmeras obras de arte além dos traços do premiado arquiteto ganhador do prêmio Pritzker .

Sei também que nos dois primeiros anos do primeiro governo Casagrande investiu-se ali mais de R$ 100 milhões até que a empreiteira abrisse falência e as obras fossem paralisadas. Foram mais dois anos de governo Casão, quatro de PH, e agora mais dois de Casão e o Cais das Artes tem apenas contratos de vigilância e manutenção.

Talvez seja a mania que esse pessoal do interior tem de as vezes colocar o carro adiante dos bois...