Abre o olho, Casão - Vitória News
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Opinião Pública
Abre o olho, Casão
Rubinho Gomes
O ano político começa mostrando um governador Renato Casagrande ressabiado, tanto que nem ousou enfrentar o presidente reeleito da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), na disputa pelo comando do Legislativo. Como informa o coleguinha de A Gazeta Vitor Vogas o acordo estava fechado desde janeiro, quando Casão desistiu de possíveis candidaturas como as de Marcelo Santos e Dary Pagung. Será que ele sonha com uma nova "unanimidade bonapartista" como a do ex-governador Paulo Hartung, nomenclatura criada pelo ex-prefeito e ex-deputado federal Luis Paulo Velozo Lucas (PSDB) para a coalizão em torno do Governo ainda em 2010 ano em que acabou derrotado pelo atual governador na disputa ao Palácio Anchieta.

Aliás, poucos sabem como se deu este confronto, pois na ocasião os menos atentos apostavam que o candidato de PH ao Governo seria o então vice-governador Ricardo Ferraço, que acabou - mesmo a contragosto - tendo que aceitar o Olimpo, ou seja, uma candidatura ao Senado. Como sucessor de PH na Prefeitura de Vitória, posteriormente reeleito, e principal artífice de sua candidatura ao Senado em 1998 depois de perder a convenção do PSDB como candidato ao Governo para José Ignácio Ferreira, graças aos 11 votos que Jorge Anders (então prefeito de Vila Velha) tinha na manga e vendeu caro para Ignácio em um almoço no restaurante Barramar, na Barra do Jucu, do qual fui testemunha ocasional, com Anders que fosse tarde inclusive exigindo o cargo de vice-governador para seu aliado Celso Vasconcelos. Com a derrota para Ignacio, restou a PH o Senado, onde permaneceu apenas quatro anos em campanha puxada por Luis Paulo, então um bem avaliado prefeito de Vitória,.

Voltemos a 2010, quando Luis Paulo esperava uma retribuição do então governador para sucedê-lo, e que este se lançasse ao Senado. Ocorreu uma inesperada interferência do presidente Luis Inácio Lula da Silva no tabuleiro político. Interessado em retirar de cena o candidato do PSB à Presidência da República Ciro Gomes, para pavimentar o caminho de sua candidata à própria sucessão, Dilma Rousseff, Lula se reúne com o secretário geral do diretório nacional do partido, Renato Casagrande, que estava no Senado há quatro anos e tinha como suplente justamente um nome do PT, Ana Rita Sgario. Acertado com Casão pela garantia do afastamento da candidatura de Ciro Gomes contra Dilma, Lula convoca PH a Brasília.

PH devia muito a Lula desde que este determinou a antecipação dos royalties do petróleo que, em 2003, garantiram ao seu primeiro governo colocar em dia os três meses de salários atrasados do funcionalismo público estadual que havia herdado de José Ignácio, e equilibrar as finanças do Espírito Santo. Assim, não teve como negar o pedido de Lula para que seu candidato à sucessão fosse Renato Casagrande, restando a Ricardo Ferraço a vaga para o Senado.

Foi um casamento na delegacia mesmo com Casagrande nomeando vários hartunguetes para seu Governo inclusive com um inexplicável e inexpressivo Robson Leite como secretário de Planejamento, que sempre foi uma pessoa servil a PH. Pois bem: Casão derrotou Luis Paulo com quase 80% dos votos válidos, também graças aos fartos recursos de sua campanha obtidos junto ao empresariado.

Observem que a relação dos dois havia se estreitado já em 2002 quando PH foi eleito governador pelo PSB de Casão, que havia estruturado o partido em todo o Estado quando havia sido vice-governador e secretário de Agricultura do governo Vitor Buaiz (primeiro governador do país eleito pelo PT em 1974 e que depois migrou para o PV do jornalista Fernando Gabeira).

Porém nem tudo são flores nas relações políticas que envolvem PH. Casagrande demorou a acordar para as articulações hartunguetes e acabou derrotado por ele em sua tentativa de reeleição em 2014.

Mas esta já é uma outra história...


Eduardo Santos; um comentário pertinente

Ao comentar a reeleição do presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, em um grande acordão com o Governo, o jornalista Eduardo Santos, que ancora o Espírito Santo no Ar, na TV Vitória, todas as manhãs. fez uma observação bastante perspicaz sobre reeleições no Poder Legislativo: "Eu pessoalmente sou contrário à reeleição no Legislativo, pois da última vez em que isto ocorreu José Carlos Gratz foi reeleito três vezes e o Governo do Estado ficou refém do Legislativo".

E eu completo: naquela ocasião, em entrevista à Folha de São Paulo, ao ser questionado sobre o porquê dos parlamentares votarem nele em três ocasiões seguidas (1996, 1998 e 2000, Gratz não se fez de rogado: "É que tem 27 otários que sempre gostam de votar em mim".

Depois, após ser apeado do poder pela Justiça, que inclusive retirou-lhe os direitos políticos por corrupção, descobriu-se que cada um dos 27 "otários" que votavam em Gratz havia recebido cheques assinados pelo notório Carlos Guilherme Lima no valor de R$ 30 mil cada. Estava tudo explicado, não só os votos em Gratz, mas também porque nenhum deles reclamou ter sido chamado de "otário".

Louve-se, a propósito, a liberdade que o dono da Rede Vitória de Comunicação, Américo Buaiz Filho, dá aos seus jornalistas para emitir opiniões, algo impensável nas concorrentes TV Gazeta e TV Tribuna, onde qualquer opinião dissonante é punida com demissões sumárias.