Por quem os sinos dobram - Vitória News
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Opinião Pública
Por quem os sinos dobram
Robinson Grangeiro Monteiro
Quando o jovem norte-americano Robert Jordan, professor de espanhol e membro das Brigadas Internacionais, é enviado a explodir uma ponte em Segóvia, uma teia de considerações sobre a condição humana é magistralmente tecida pelo escritor Ernest Hemingway para explicitar a loucura autofágica do ser humano.

O romance, considerado como a obra-prima de Hemingway, parece se concretizar com todas as tintas fortes e bizarras atualmente, quando em meio a uma pandemia que escancarou a voracidade da morte em todas as latitudes e longitudes do globo, ainda afronta a humanidade pelas cenas de crianças e mulheres fugindo do terror iminente do talibã no Afeganistão.

A história, a melhor das escolas, da qual muitos se evadem pela cegueira do ódio, que os impede de aprender, parece ser cíclica, pois, mudando às vezes os nomes e as feições, apresenta o mesmo dilema: a des-humanização das relações humanas, por todos denunciada, mas, aparentemente, por ninguém solucionada em sua essência.

John Donne, em seu livro "Poems on Several Occasions" (literalmente, Poemas para várias ocasiões, mas na edição em português, publicado com o título Meditações) tem razão ao lembrar que "quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade", posto que, comungamos da imagem de Deus em cada um, independentemente de etnia, credo ou quaisquer taxonomias.

Nesta condição de seres humanos, cada criança que nasce em uma maternidade moderna do ocidente, ou envolta em panos em um campo de refugiados, remete àquele que, também refugiado da ira do poderoso da ocasião, representa com plenitude a dignificação da humanidade, pelo mistério do amor de Deus que se faz homem para habitar entre nós.

Os sinos dobram por cada um daqueles que já não são, que não estão mais entre nós, porém, a sonoridade deveria ser mais inquietante aos que ficam, muitas vezes inertes e omissos, marionetes um tanto quanto conscientes, dos podres poderes da ambição e da soberba que habitam em palácios e gabinetes.

Que não se abafem os sinos, mas que sejam afinados a ponto de despertar a melodia do amor ao próximo que, adormecida, precisa ser despertada em um grande coro, semelhante àquele da noite nos campos de Belém: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos seres humanos, a quem Ele quer bem"!