MBA: ano da morte 2022

    Deparo-me com funcionários que vão fazer um mestrado em administração (Master of Business Administration em Inglês) ou mesmo uma pós-graduação, e isso me leva a crer veementemente que a maioria desses cursos vai morrer.

    Como executivo, vejo os currículos dos colaboradores e não consigo encaminhá-los a nenhum mestrado que envolve negócios, o famoso MBA ou qualquer derivado dele.

    A minha conclusão é de que isso nos mostra um problema. Qual? Dinheiro e tempo jogados no lixo. Quando você trabalha em uma empresa, e tem uma possibilidade de carreira, a ideia é fazer um desses cursos para ajudar na jornada. Mas quando se depara com a grade curricular, aparece o questionamento: o que realmente ajuda o funcionário a conquistar cargos mais altos? Dificilmente o conteúdo terá interseções com o setor ou função que o trabalhador exerce ou mesmo quer exercer. Isso porque esses cursos são genéricos.

    Quando nos programamos para ter um diploma no mundo dos negócios, vamos, por exemplo, estudar os processos que atendem o consumidor, porém, estamos na área de B2B, será que isso é válido? Vai ajudar no meu crescimento?

    Atualmente, estamos na era do Lifelong Learning, mas não adianta sair fazendo o trivial. A pergunta que deve fazer a si mesmo é: qual é o curso que preciso fazer? Para completar um MBA de 400 horas com uma carga acadêmica que não será útil, não seria mais eficaz fazer, por exemplo, 10 cursos de 40 horas na área que gostaria de expandir sua carreira profissional ou que no mínimo são relevantes para a empresa onde se encontra? Vale a reflexão.

    Quando escolhemos a segunda opção, além de estudar, iremos viver o conteúdo aprendido e de fato o benefício será imediato.

    Steve Jobs não seguiu o currículo de sua universidade, ele foi atrás daquelas aulas que deram um embasamento conciso para o que ele estava querendo produzir em sua empresa de tecnologia. Elon Musk também já trouxe uma reflexão sobre o assunto. Uma vez considerou que as pessoas fazem MBA porque querem saltar processos e cair em uma posição de liderança, mas quando chegam lá, de verdade, elas não estão preparadas, pois não viveram aquilo.

    Quando você entra em um setor, o funil de habilidades fica cada vez mais estreito, ou seja, a precificação, o jurídico, a regulamentação, a situação da concorrência e o crescimento são específicos daquele setor econômico, como agricultura, construção, tecnologia, saúde entre outros. Um ou dois anos estudando matérias que não são alinhadas com a necessidade da empresa que você trabalha é um tempo perdido. Você pode se desgastar, cair em um ciclo de infelicidade, se tornar um funcionário pior e, ainda por cima, não trazer o valor necessário para onde trabalha.

    Como CEO, constantemente tento avaliar a capacidade de pensamento abstrato e criativo, e com certeza, de 100 colaboradores, 99 não serão bem avaliados. Mas também na grande maioria dos MBAs não serão tratados temas como “Resolução de problemas complexos”, “Pensamento crítico”, “Flexibilidade cognitiva” ou “Proatividade”, habilidades fundamentais em praticamente todas as empresas. Então, quando olho para o funcionário e o vejo fazendo muito esforço e não adquirindo o que realmente precisa, entendo que ele confiou em um sistema de estudos que não soube se adequar a realidade atual das empresas.

    Precisamos anunciar a morte do MBA. É inevitável em um mundo online, onde você pode estudar cada curso de forma separada e criar a grade curricular que irá determinar o seu futuro, ficarmos estagnados. Termos em mente a customização do nosso próprio MBA já passou da hora.

    Ainda, com isso, criamos a diversidade acadêmica e saímos daquela caixa em que colocam 30 alunos em uma sala de aula, como se eles tivessem a mesma necessidade, tal como uma linha de produção.

    No livro “Pense com Calma, Aja Rápido” dediquei um capítulo ao tema de diagnóstico da empresa, para mostrar como cada uma tem diferentes especificidades da sua realidade e maturidade.

    O incentivo aqui não é deixar de estudar aquilo que está fora do seu trabalho, mas se te sobra tempo, vá fazer um curso que agregue a sua vida pessoal como história, filosofia, música, ciências sociais, entre outros que estejam no final de sua lista. Afinal, conhecimento geral por conhecimento geral, melhor fazer aquilo que te trará bem estar.