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Opinião Pública
Você quer ser presidente? Então tome um bacalhau! Alô, alô, Terezinha!
Marcelo Rossoni
Em 10 de novembro de 1989 o jornal O Estado de São Paulo tinha o conceituado senhor Júlio de Mesquita Neto como jornalista responsável e noticiava em sua manchete principal: TSE não aceita candidatura de Sílvio.

Para os que não nos honravam com suas presenças neste plano, o Sílvio referido na notícia principal daquele dia era o animador de auditório, dono do Baú da Felicidade e do Sistema Brasileiro de Televisão – SBT- Sílvio Santos, batizado originalmente como Senor Abravanel.

O animador de auditório desequilibraria a eleição daquele ano. Sua imagem era exposta quase que diariamente várias vezes por dia: nos sorteios do Baú da Felicidade, ou nos seus programas de auditórios, onde dinheiro era distribuído por meio de aviõezinhos depois dele exclamar; “quem quer dinheiro?”
Sílvio era o candidato do povão e sua candidatura desagrava muita gente, inclusive o poderoso da mídia, que influenciava o establishment, o mercado.

Sílvio queria entrar para a história do Brasil disputando a campanha eleitoral, a primeira eleição presidencial direta após o fim da ditadura militar.

Sílvio Santos teve a candidatura barrada pelo PFL no lugar de Aureliano Chaves. Chegou a fazer campanha pelo Partido Municipalista Brasileiro (PMB) e, por alguns dias, liderar as pesquisas de intenção de voto.

A manobra para viabilizar a candidatura de Sílvio foi de Armando Corrêa (PMB), que renunciou a disputa à presidência da República poucos dias das eleições. Assim, os eleitores que quisessem eleger o homem do baú teriam que votar no nome do Corrêa na cédula.

Sábio ou não, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou os vários pedidos de impugnação impetrados por partidos adversários e decidiu barrar a candidatura.

Por incríveis sete votos a zero, os ministros do TSE entenderam que Sílvio Santos era inelegível por ser concessionário de uma rede de televisão e, mais, consideraram inexistente o Partido Municipalista.

Um ano antes, mais famoso do que Sílvio Santos, o animador de auditório, Abelardo Barbosa, que incorporava o palhaço Chacrinha, morria no dia 30 de junho de 1988, mas como um sábio coerente se manteve longe da política, ao contrário do palhaço Tiririca, que se candidatou e foi eleito deputado federal por São Paulo.