Uma nação grampeada - Vitória News
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Opinião Pública
Uma nação grampeada
Marcelo Rossoni
O filme O Bebê de Rosemary, exibido há 51 anos, do premiado e hoje maldito diretor Roman Polanski, relata a história de um casal que decide ter um filho e se muda para uma cidade dos Estados Unidos, país onde o presidente Jair Bolsonaro quer empregar um dos filhos, no cargo de embaixador do Brasil.
Até aí nada de anormal com Rosemary e o marido, um candidato a ator, e o presidente Jair Bolsonaro. A não ser a relação com vizinhos solícitos demais.
A história de terror começa quando Rosemary, interpretada brilhantemente por Mia Farrow, depois de um pesadelo, fica grávida e passa a suspeitar de que uma terrível ameaça paira sobre ela e o bebê que espera.
Ela imagina que carrega no ventre o filho do diabo, com quem, em sonho, havia se relacionado.
Rosemary desenvolve uma paranoia, sente-se perseguida pelo demônio e busca ajuda na comunidade, descobrindo mais tarde que não recebe socorro porque todos pertencem a uma seita satânica.
O filme leva à tensão até o último quadro: o espanto de Rosemary ao ver pela primeira vez o rosto do filho.
Esta imagem, esperada por todos espectadores foi negada por Roman Polanski: “mostrar a criança teria sido um grande erro”. Mas qual a relação entre o enredo do filme O Bebê de Rosemary e a Operação Spoofing, da Polícia Federal? Uma trama muito bem-feita.
Pelo que foi revelado pela Polícia Federal e pelo ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, ocupantes dos mais importantes cargos do País foram “grampeados”.
Os presidentes da República, Jair Bolsonaro, da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre, além dos celulares do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e até um delegado da Polícia Federal foram alvos de ataques virtuais do grupo preso pela Polícia Federal.
Pasmem!
Segundo divulgou a Policia Federal, o grupo de hackers atingiu ainda milhares de pessoas. No caso de Bolsonaro, os investigadores já sabem que a tentativa de acessar os dados no aplicativo Telegram foi bem-sucedida e ocorreu neste ano.
O conteúdo das mensagens não será analisado pela PF, mas encaminhado à Justiça Federal. No Palácio do Planalto, o fato é considerado crime de segurança nacional.
A partir de uma espécie de “central de grampos” montada em Araraquara, no interior de São Paulo, presos na Operação Spoofing tentavam acessar conversas privadas dos alvos.
Nem todas as autoridades tiveram mensagens capturadas ou mesmo os celulares efetivamente invadidos, segundo as investigações preliminares da PF.
Uma história fantástica, mas difícil é acreditar nela, assim como no enredo do filme Bebê de Rosemary. Ao contrário, a vítima não foi engravidada pelo demônio, mas a comunidade política, executiva e judiciária foi alvo de três hackers: um DJ, uma manicure e um motorista de Uber.
Acreditem!
O enredo ficou ainda mais difícil de se sustentar após a publicação na Veja On Line, de diálogos de Greenwald, de 5 de junho, em que sua fonte, que havia lhe passado eletronicamente o material capturado, lhe assegura não ter sido o autor da invasão do celular de Moro, conforme noticiado pela imprensa naquele dia.
Talvez o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Moro não tenham percebido que Brasília não é para principiantes, por mais famosos e endeusados que sejam.
Agora vamos esperar para saber qual será o último quadro deste filme, se será mostrado e se haverá cara de espanto como fez Rosemary ao ver pela primeira vez o rosto do filho. O rosto escondido do Bebê de Rosemary seriam os diálogos entre o então severo juiz Sérgio Moro e procurador Deltan Dalagnol, da Operação Lava Jato?