Conversas reveladas não são fake news - Vitória News
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Opinião Pública
Conversas reveladas não são fake news
Marcelo Rossoni
A quebra clandestina do sigilo do Telegram do então todo poderoso juiz federal Sérgio Moro e do temido procurador da República Deltan Dallagnol deixou todos perplexos. (O Telegram foi fundado em 2013 pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov, os fundadores do VK, a maior rede social da Rússia. É um aplicativo para troca de mensagens, considerado um dos principais concorrentes do WhatsApp.)
Se o divulgado pelo site The Intercept Brasil for verdadeiro, haverá uma revolução processual nas ações e decisões da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba.
Quem leu as mensagens de Telegram trocadas pelo então juiz Moro e o procurador Dallagnol percebeu a intimidade entre ambos.
A reportagem do Intercept Brasil mostrou que o coordenador da força-tarefa da Lava Jato tinha dúvidas pessoais quanto ao conteúdo da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Caso Tríplex.
Em diversas conversas privadas reveladas, Moro sugeriu ao procurador a troca de ordem das fases da Lava Jato; cobrou agilidade em novas operações; deu conselhos estratégicos e pistas informais de investigação; antecipou ao menos uma decisão; criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público, e deu broncas em Dallagnol como se dele fosse superior hierárquico.
Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal do Paraná agiram rápido. No domingo, 9, em nota, disseram ter sido vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança.
Alegam ser vítimas de uma ação vil do hacker que invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, havendo ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes.
Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privados e de trabalho, dizem os procuradores.
Reclamam ainda que dentre as informações ilegalmente copiadas, possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias.
Por que manter arquivada na memória de um celular mensagens comprometedoras? Não há lógica para isso. Moro e Dallagnol não são duas bestas. São pessoas esclarecidas que quase chegaram ao ápice de suas carreiras de funcionários públicos. Já quebraram e fizeram vazar, oportunamente, ligações telefônicas, etc., depoimentos, delações. Sabiam do risco de ter arquivos comprometedores arquivados em seus celulares.
Políticos de vários matizes ideológicos tentam se aproveitar e sair bem na foto, esbravejando, sugerindo CPIs, dando apoio ao Moro, pedindo nulidade de processos e outras medidas impossíveis de acontecer.
Por fim vem a OAB, com toda pompa, pedir em nota oficial cautela e sugerindo o afastamento da dupla Moro e Dallagnol.
É o fim!
Quem pensou que as coisas mudariam com a Lava Jato se frustrou. Faz lembrar a cena final de O Leopardo, um premiado filme de 1963, do diretor Luchino Visconti, quando Príncipe Salinas, interpretado pelo genial Burt Lancaster, diz “é preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão”.