Corro o risco de levar um calote do Tesouro Nacional? - Vitória News
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Opinião Pública
Corro o risco de levar um calote do Tesouro Nacional?
Lucas Rufino
O brasileiro está saindo da zona de conforto no que diz respeito a investimento. Se antes a opção mais procurada era a velha caderneta de poupança, atualmente temos o Tesouro Nacional como um dos queridinhos para quem deseja investir. Mas apesar do aumento das pesquisas por essa opção, ainda há um grande medo entre os investidores iniciantes: é possível o Tesouro Nacional quebrar?

Sim, isso é possível, basta olharmos para os vizinhos Argentina, Venezuela e também para a Grécia. Mas antes de entrarmos em detalhes, vou explicar o que aconteceu: Há alguns dias, saiu uma notícia que o Tesouro Nacional estava começando a ficar com poucas reservas financeiras para conseguir pagar os títulos. O chamado “colchão de liquidez” - o que torna o Tesouro Nacional um investimento confiável- ficou muito próximo ao mínimo considerado seguro: o limite adequado dessa Reserva é por volta de pelo menos 3 meses de vencimentos.

No último dia 27, saiu a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) - principal órgão da Economia Brasileira- de que o Banco Central (BACEN) poderia repassar 325 bilhões para o Tesouro. Mas por qual motivo o Bacen faria isto? Bem, o Tesouro Nacional nada mais é que uma espécie de "banco" que tem a autorização para emitir dívida do Governo para Municípios, Estados e também para pessoas que queiram emprestar dinheiro ao Governo.

Em 2020, fomos afetados pela crise do Coronavírus, o que levou a um desbalanço entre as despesas e receitas do governo e também de todo o país. Para evitar uma crise mais forte, o Tesouro Nacional emitiu mais dívida, ou seja, ele pegou mais dinheiro emprestado (através dos títulos públicos), porém, como esse dinheiro é um "empréstimo entre o governo e a sociedade" ele precisa pagar com juros às pessoas que o emprestaram.

Há uma verba obrigatória que o Banco Central deve repassar ao Tesouro Nacional que equivale R$24,7 bilhões, porém além disto, ele acabará também repassando mais R$325 bilhões. Ao total será um volume de 349,7 bilhões somente para pagar as dívidas internas do Tesouro Nacional.

Bom, e de onde saiu este dinheiro todo? O Banco Central no 1T20 acabou tendo um saldo positivo de 503,2 bilhões, onde 95% desse valor veio através de operações cambiais (com operações de compra/venda de dólar e operações de derivativos cambiais: que é uma espécie de seguro).

Ficou perdido? Agora vou simplificar para você e falar se o Tesouro Nacional pode ou não quebrar.

Para evitar que o Tesouro Nacional entre em apuros e acabe tendo que aumentar mais a dívida do país, a equipe econômica decidiu utilizar este saldo positivo que o Banco Central conseguiu ter para abater a dívida interna existente. Porém, caso o Banco Central, não tivesse tido este resultado de 478 bilhões pelo uso de "proteção cambial", o Tesouro Nacional acabaria tendo problemas para pagar a dívida interna e isso aumentaria o risco do país ter mais problemas econômicos.

Entenda que todo tipo de investimento tem risco, porém, como diz o bom velhinho Warren Buffett, "o risco está em você não saber o que está fazendo", porém, você sabendo quais são os riscos que envolvem os títulos públicos e, principalmente, essa dinâmica que eu falei aqui relacionada à macroeconomia do país, você conseguirá ter uma análise melhor sobre a segurança fiscal e monetária para saber se há muito ou pouco risco de acabar havendo um "calote" do Tesouro Nacional Brasileiro, como houve com a Argentina.