Daqui a poucos dias teremos eleições diretas gerais em nosso país. Todos os brasileiros irão às urnas para escolher representantes que estarão por quatro anos definindo leis e executando políticas públicas para nosso estado e nosso país.
O empresariado capixaba – de todos os ramos e tamanhos – não pode tomar posições político-partidárias, mas tem o direito e a obrigação cívica de estar ativo no processo para conhecer ideias e propostas que fortaleçam nossa economia e favoreçam nossa sociedade para torná-la menos injusta e perversa.
O apelo que faço é de que todas as lideranças empresariais rompam com concepções preconcebidas e procurem avaliar com serenidade as propostas dos candidatos, valorizando suas histórias, seus feitos para o nosso Estado e as companhias que cercam cada um deles.
Ser liderança é ter a capacidade de ir além ao verificar os acontecimentos de ontem e de hoje, considerando suas razões e justificativas, e projetar repercussões para o futuro. É preciso ter coragem para pensar com autonomia e tomar posição, mesmo que esta seja distinta daquela que predomina no grupo.
Nosso estado teve profundas transformações econômicas e sociais nas últimas décadas. Os grandes projetos do setor siderúrgico, portuário e de celulose mudaram a base econômica preexistente e depois, com o salto na extração de petróleo e gás, fruto da descoberta do pré-sal, a base econômica estadual passou para outro patamar.
No norte do estado, mas concentrado em torno da BR 101 e das cidades médias, a inclusão à área da SUDENE viabilizou dezenas de indústrias e sites de logística. Esta inclusão foi uma conquista de lideranças capixabas na época do governador Vitor Buaiz. Mais recentemente a área capixaba foi expandida para a região de Aracruz. A proposta de expansão havia sido vetada pelo Presidente Bolsonaro em 2021 e o veto foi derrubado pelo Congresso. Aquela região tem tido um dos maiores saltos de crescimento econômico do país, impulsionada também pela implantação do estaleiro Jurong e mais recentemente com a construção do estaleiro da IMETAME, de grupo empresarial exemplar de nosso estado. A Zona de Processamento de Exportações (ZPE) que era um sonho antigo se tornou realidade naquela região em outubro de 2023, com a assinatura pelo Presidente Lula do Decreto Federal nº 11.735.
É preciso valorizar os tempos e as origens de todas estas mudanças. O salto na extração de gás e petróleo capixaba só foi possível por causa da descoberta do pré-sal, dentro do fortalecimento da PETROBRAS. Da mesma forma, o estaleiro Jurong só se implantou por aqui porque o Presidente Lula decidiu que a construção das dezenas de plataformas necessárias para explorar o pré-sal passassem a ser feitas aqui e não mais continuassem a serem compradas do exterior. Lamentavelmente a famigerada operação LavaJato (2014-2019) levou à lona a indústria naval e as grandes empresas empreiteiras do país; somente em 2023 as empresas brasileiras voltaram a se levantar.
Todas estas conquistas em nosso estado foram alcançadas com a atuação altiva e ativa de dirigentes estaduais, especialmente dos governadores e suas equipes. O esforço na boa gestão fiscal-financeira das contas públicas deu ao Espírito Santo a condição favorável para avançar em novos projetos e ser um território atrativo para investimentos privados. A decisão recente da montadora chinesa de veículos GWM em instalar a sua segunda fábrica no estado é um exemplo desta parceria virtuosa entre governo federal e estadual. Os investimentos estrangeiros no Brasil voltaram com força nos últimos quatro anos e o governo capixaba soube fazer o seu papel nesta atração de novos investimentos.
Com relação à logística, o Espírito Santo tem sido palco de dezenas de armazéns e galpões, integrando-se a seus portos e viabilizando ao estado ser uma referência no comércio exterior. As duas rodovias federais que cruzam o estado marcam avanços, mas também limitações que requerem urgência a serem superadas. No eixo norte-sul, a BR 101 foi concedida em 2013, Governo Dilma Roussef, mas anos depois, houve interrupção no contrato por questionamentos da concessionária; a nova concessão ocorreu em 2024 e os investimentos pactuados estão sendo implantados. O atraso das obras no período de 2017 a 2023 (mandatos de Temer e Bolsonaro) penalizou o estado. O contorno do Mestre Álvaro na BR 101 inaugurado em 2024 foi uma obra federal que trouxe profundas melhorias estruturais para a região metropolitana e em especial para o município de Serra. No eixo leste-oeste a BR 262 continua a ser um gargalo. O projeto de sua modernização vem se arrastando há anos e agora em 2026 a obra foi incluída no PAC 3 e já houve determinação legal para se apressar a licitação e dar início às obras.
Na construção civil, a retomada do Minha Casa Minha Vida em 2023 trouxe benefícios diretos para toda a cadeia do segmento que é um dos principais em termos de geração de emprego, impostos e renda. Nos três últimos anos foram entregues 18,6 mil unidades habitacionais, injetando um volume formidável de recursos no comércio e serviços, o que não vinha acontecendo desde 2018.
O tarifaço adotado pelo governo dos EUA de forma unilateral, quebrou todos os protocolos do comércio mundial. Ela ocasionou a queda de 15% de nossas exportações para aquele país e o setor de mármore e granitos de nosso estado é um dos penalizados. Mas as nossas exportações totais e nosso superavit comercial em 2025 bateram recorde. Isso só foi possível graças ao empenho do Pres. Lula em abrir novos mercados; o governo anterior havia feito 70 reuniões com autoridades internacionais e visitou 20 países, o governo atual fez 257 reuniões e visitou 86 países. Este é o exemplo de trabalhar pelo país e não aquele de colocar a bandeira norte-americana nas costas e usar bonezinho do MAGA (Make America Great Again). As lideranças daquele setor tão importante para o Espírito Santo deveriam repensar suas posições políticas de afinidade exatamente com aqueles que levaram a prejuízos diretos para o segmento em que atuam.
Vejam vocês que é fundamental o governo estadual ter uma interlocução virtuosa e objetiva com o governo federal.
Neste momento, o apelo é para que todos as lideranças empresariais se dispam de posturas preconceituosas e comparem com isenção os benefícios que cada candidato deu para os capixabas, no âmbito estadual ou federal. Não é preciso gostar de um dado candidato, é preciso gostar do Brasil!
Por sua vez, o alerta que faço é para que não haja em nosso Estado o que já ocorreu em outros tempos, de empresários juntarem seus funcionários para pedirem apoio a um ou a outro candidato e fazendo ameaças. Isso é ilegal. É assédio político que o MPF do Trabalho está empenhado em fiscalizar e coibir.
O voto de cada pessoa é o ingrediente mais sagrado em uma democracia representativa. Nosso País precisa se consolidar enquanto Nação soberana e laica. É crime capital defender a renúncia à nossa independência e se entregar a tiranos internacionais que se consideram os donos do mundo. É crime também propor alteração na Constituição Federal para exigir a prevalência, ou mesmo a exclusividade, de uma religião só. O Brasil não é e não aceitará ser um país fundamentalista. Este caminho não vai dar certo e pagar para ver é uma insensatez de políticos e de uma sociedade subserviente que não dignifica a história de brasileiros que deram suas vidas para construir uma nação brasileira, uma tarefa ainda inconclusa, que nossas “elites” não valorizam como é preciso.
Caros empresários do Espírito Santo, vocês todos tem mais uma oportunidade de mostrar a grandeza que possuem e que construíram ao longo de suas histórias. Vocês todos, da agricultura, das cooperativas, das pequenas e médias e também das grandes empresas, da indústria, do variado setor de serviços, do comércio e dos transportes, enfim, todos podem ajudar a aperfeiçoar nossas instituições.
O tempo que vivemos de tensionamentos ideológicos profundos dentro do país e no cenário internacional ameaça nosso futuro. É uma irresponsabilidade agirmos sem considerar o legado que será deixado para as futuras gerações. Com a palavra e a atuação de nossas lideranças empresariais.