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New York Times se retrata e inclui contexto de foto de bebê desnutrido em Gaza após críticas

FolhaPress 30/07/2025 14:09

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O jornal americano The New York Times se pronunciou nesta terça-feira (29) após ter sido alvo de críticas envolvendo a publicação da fotografia de um bebê com cerca de 1 ano e meio de idade na Faixa de Gaza que sofre com problemas de desnutrição severa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Mohammed Zakaria al-Mutawaq e a sua mãe, Hedaya al-Mutawaq, foram deslocados de sua casa no norte do território devido ao conflito com Israel. A imagem em que ela aparece segurando o filho, que está de costas e aparece com os ossos visivelmente à mostra, virou uma espécie de símbolo da fome em Gaza.

Após a imagem viralizar, a reportagem acrescentou a informação de que o bebê já sofria de uma condição de saúde preexistente que afeta o seu cérebro e o desenvolvimento dos músculos de seu corpo.

Segundo o New York Times, a saúde do bebê vinha se deteriorando nos últimos meses devido às dificuldades no acesso a medicamentos e alimentos diante do bloqueio imposto por Tel Aviv.

"Recentemente, publicamos uma reportagem sobre os civis mais vulneráveis de Gaza, incluindo Mohammed Zakaria al-Mutawaq, que tem cerca de 18 meses de idade e sofre de desnutrição severa. Desde então, obtivemos novas informações, incluindo dados do hospital que o atendeu e seus registros médicos, e atualizamos nossa reportagem para incluir contexto sobre problemas de saúde preexistentes", afirma a nota divulgada pela assessoria do jornal em um post no X.

SESC PICASSO

O NYT reafirma que as crianças estão "desnutridas e passando fome" e que seus colaboradores "continuam cobrindo os acontecimentos em Gaza com coragem, sensibilidade e enfrentando riscos pessoais, para que os leitores possam ver em primeira mão as consequências da guerra".

A foto de Mohammed foi reproduzida pela Folha de S.Paulo em um texto da BBC, parceira de publicação do jornal. A rede britânica atualizou seu texto para incluir a informação de que o bebê também sofria de hipotonia (falta de tônus muscular), mas aprendeu a sentar e levantar pois Hedaya lhe dava sessões de fisioterapia. No entanto, a falta de comida deixou Mohammed incapaz de ficar em pé ou sentado. Esse adendo também foi incluído pela Folha de S.Paulo.

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Não existe acesso desimpedido de profissionais de imprensa ao território —agências de notícias e a emissora BBC divulgaram um comunicado conjunto no qual afirmam que seus colaboradores palestinos correm risco de vida devido à fome. Os veículos pedem que Israel permita o livre acesso de jornalistas em Gaza.

Imagens que mostram crianças esqueléticas e seus pais desesperados em busca de comida, com panelas vazias nas mãos, têm circulado em todo o mundo, o que vem aumentando a pressão sobre Israel.

Diante da tragédia humanitária, o governo israelense decidiu no último domingo (27) flexibilizar algumas das restrições ao fornecimento e distribuição de mantimentos no território.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou recentemente que a acusação de que Tel Aviv levou o território a uma situação de fome era "uma mentira descarada". "Não há política de fome em Gaza, e não há fome em Gaza", afirmou.

Até mesmo os Estados Unidos, aliados históricos de Israel, rebateram a narrativa. "Com base na televisão, eu diria que não [estou convencido], porque essas crianças parecem estar com muita fome", afirmou Donald Trump na segunda (28) em seu campo de golfe em Turnberry, na Escócia, ao lado do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. "Há muitas pessoas passando fome em Gaza."

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Netanyahu afirma que as forças israelenses possibilitaram a entrada da quantidade exigida pelo direito internacional de ajuda humanitária e voltou a acusar o Hamas de roubar suprimentos.

O grupo terrorista nega a acusação, e um relatório produzido em junho pela Usaid, a agência de ajuda externa americana, concluiu que não há provas de roubo sistemático de comida pela facção.

Israel segue rechaçando essa versão. Em um post compartilhado na terça-feira (29), a conta do governo divulgou a foto de um homem esquelético, afirmando que ele "não morreu de fome". "Ele sofria de diabetes não tratada e morreu devido a complicações de hipercatabolismo severo", diz o post.

O número de pessoas mortas por desnutrição é incerto e contestado. A principal fonte para os balanços de óbitos é o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas.

Segundo a pasta, dezenas de habitantes morreram de desnutrição nas últimas semanas. Ainda de acordo com o ministério, no total, desde o começo da guerra, 127 óbitos foram registrados nessas condições, incluindo 85 crianças.

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