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Netanyahu diz que matar liderança do Hamas no Qatar eliminaria obstáculo para fim da guerra em Gaza

FolhaPress 13/09/2025 15:34

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, defendeu neste sábado (13) sua decisão de atacar uma reunião do Hamas em Doha, no Qatar, na última terça-feira (9), dizendo que eliminar a liderança da facção encerraria a guerra na Faixa de Gaza. O ataque não matou o alto escalão do grupo terrorista.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Os chefes terroristas do Hamas vivendo no Qatar não se importam com as pessoas em Gaza. Eles bloquearam todas as tentativas de cessar-fogo com o objetivo de prolongar a guerra indefinidamente. Se livrar deles removeria o principal obstáculo para libertar os reféns e encerrar a guerra", escreveu Netanyahu, em inglês, no X.

O ataque inédito de Israel contra o Qatar foi condenado pelos principais aliados europeus de Tel Aviv, incluindo Reino Unido, França e Alemanha. O governo Donald Trump, por sua vez, se limitou a dizer que havia sido informado sobre o ataque e fez demonstrações de apoio ao Qatar, importante aliado americano no Oriente Médio e onde fica a maior base aérea dos EUA na região.

A decisão de Netanyahu sofreu resistência dos serviços de inteligência israelenses. Uma reportagem do jornal britânico Financial Times relata que a Mossad, a agência de espionagem externa de Israel, se recusou a executar um plano de assassinar os líderes do Hamas com agentes em terra no Qatar por temer que isso rompesse sua relação com Doha. A liderança do grupo terrorista palestino está hospedada na capital da monarquia árabe, que atua como mediadora de conversas de cessar-fogo entre a facção, Tel Aviv e Washington.

SESC PICASSO

O ataque também levou a novas críticas feitas por familiares de reféns israelenses ainda em poder do Hamas na Faixa de Gaza. "Essa semana vimos o desastre do primeiro-ministro, que apostou com a vida dos reféns e tentou eliminar o time de negociadores do Hamas durante conversas para libertar nossos filhos", disse Einav Zangauker, mãe do refém Matan.

"Mas não foi o Hamas que Netanyahu tentou matar -foi a chance das famílias de recuperar nossos entes queridos. Foi nossa esperança, como cidadãos, de viver vidas normais, nosso sionismo e o futuro do nosso Estado", afirmou Einav.

CONTADOR - BONUS

"Um louco, junto com um bando de malucos chamado de gabinete do primeiro-ministro, decidiu fazer tudo em seu poder para matar meu filho Eitan", disse Itzik Horn, outro familiar de um dos reféns em Gaza.

Neste sábado, bombardeios israelenses contra a Cidade de Gaza mataram pelo menos 40 palestinos, de acordo com o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas. A operação de Israel para ocupar a região já deslocou pelo menos 280 mil pessoas, informou o próprio Exército israelense. Cerca de 700 mil ainda se encontram na cidade, a maior da Faixa de Gaza.

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