Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h29m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Netanyahu diz que 'fase mais intensa' da guerra na Faixa de Gaza está acabando

FolhaPress 24/06/2024 19:25

BOA VISTA, RR (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou neste domingo (23) que a "fase mais intensa" da guerra na Faixa de Gaza contra o Hamas está chegando ao fim. A fala foi dada pelo premiê ao Canal 14 local, em primeira entrevista à imprensa israelense desde o início do conflito.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O primeiro-ministro israelense disse ainda que isso "não significa que a guerra esteja a ponto de terminar, mas que a fase intensa da guerra está prestes a terminar em Rafah".

A cidade no sul da Faixa é o último grande centro urbano do território palestino sobre o qual Israel ainda não avançou completamente. Combates por todos os lados da cidade fecham o cerco sobre o que seria, segundo Tel Aviv, o último reduto de integrantes do grupo terrorista.

Netanyahu repetiu um posicionamento de longa data de que estava disposto a concordar apenas com pausas temporárias nos combates para liberar alguns reféns, não com o fim total da guerra que o Hamas tem exigido. Bombardeios ocorreram nesta segunda-feira (24) em Rafah, mas também no centro e no norte de Gaza.

A fala gerou críticas das famílias dos reféns, que há muito acusam o premiê de atrasar a libertação dos sequestrados com o prolongamento da guerra.

SESC PICASSO

Nesta segunda, após a entrevista de Netanyahu, familiares autorizaram a publicação de um vídeo do sequestro de três reféns, gravado pelo Hamas. Imagens semelhantes já eram de conhecimento público, mas outras, como essa divulgada, ainda não.

O vídeo mostra reféns na parte de trás de uma caminhonete ao lado de homens armados com fuzis AK-47, Os sequestrados aparecem ensanguentados, e é possível ver que um deles está sem parte do antebraço.

A divulgação foi feita pela associação de familiares de sequestrados. O grupo tem criticado o governo de Netanyahu e classificado de negligência a ausência de um acordo para resgatar os reféns.

Em um discurso no parlamento nesta segunda, o premiê disse que Israel continuava comprometido com a proposta de cessar-fogo e com um acordo pelos reféns --em referência a proposta apresentada pelos Estados Unidos na ONU no início do mês. Ele repetiu, no entanto, que não encerraria o conflito até que o Hamas fosse eliminado.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, chegou a Washington também nesta segunda. Ele se reuniu com William Burns, chefe da CIA, a agência americana de inteligência, e com o secretário de Estado, Antony Blinken.

CONTADOR - BONUS

"Gostaria de enfatizar que o compromisso principal de Israel é devolver os reféns, sem exceção, às suas famílias e lares. Continuaremos fazendo todos os esforços possíveis para trazê-los para casa", disse Gallant antes de iniciar as reuniões.

Rusgas recentes entre Netanyahu e o governo de Joe Biden tem desgastado a aliança entre Tel Aviv e Washington. No domingo (23), o premiê israelense disse valorizar o apoio americano, mas criticou "queda dramática" no envio de munições dos EUA.

Netanyahu também usou a entrevista ao Canal 14 para atacar adversários políticos internos. O premiê parecia estar à vontade, em formato de entrevista de auditório cujos presentes o aplaudiam constantemente.

"Este é um governo de direita e, se [o governo] cair, não vai demorar muito para que haja um governo de esquerda que fará uma coisa imediatamente: estabelecer um Estado terrorista palestino", disse o primeiro-ministro.

Netanyahu também indicou, quando questionado sobre o pós-guerra em Gaza, que Israel manterá "o controle militar em um futuro próximo".

Anuncio - Raimundo - Bonus

Embora seja muito cedo para sugerir que Netanyahu possa estar se preparando para uma eleição antecipada, seu retorno a um discurso de campanha indica a necessidade dele de fortalecer sua coalizão, disse à Reuters o cientista político Gideon Rahat, do Instituto de Democracia de Israel, uma organização bipartidária.

"Ele estava falando com sua base. Ele está sustentando seu governo, esse é o principal objetivo. E está tendo sucesso, está ganhando tempo", disse Rahat.

Para além das críticas e protestos de familiares de reféns, Netanyahu se depara com pressões políticas de todos os lados.

No último dia 17, o premiê dissolveu seu gabinete de guerra e ampliou seu controle sobre a operação militar em Gaza. Dois integrantes do grupo já haviam renunciado na semana anterior com críticas à gestão de Netanyahu.

Além de aumentar se controle sobre as decisões referentes ao conflito, Netanyahu também evitou com a medida a pressão à direita: a ala mais radical de sua coalizão, principalmente representada pelos ministros ultradireitistas Bezalel Smotrich (Finanças) e Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional), reivindicavam espaço no gabinete de guerra.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas