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Mundo não vê EUA como exemplo de democracia e confia mais em Biden do que em Trump, diz pesquisa

FolhaPress 11/06/2024 13:25

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Joe Biden vai melhor do que Donald Trump –ao menos fora dos Estados Unidos. É o que mostra uma análise feita em 34 países, inclusive o Brasil, pelo Pew Research Center. Os resultados mostram que uma eventual vitória do empresário na eleição deste ano deve ser encarada com desconfiança pelo mundo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na visão da maior parte dos entrevistados (40%), os EUA deixaram de ser um bom exemplo de democracia em anos recentes. O restante se divide entre quem considera que o país continua sendo um bom modelo, e aqueles que afirmam que nunca foi.

A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (11), mostra ainda que 43% afirmam ter mais confiança em Biden em temas internacionais, enquanto apenas 28% declaram o mesmo sobre o republicano. No entanto, a visão positiva sobre o democrata vem recuando em diversas regiões, e a maior parte dos entrevistados reprova a atuação do americano na guerra entre Israel e Hamas.

Em 14 dos 21 países em que há dados para o ano passado e este, a confiança em Biden recuou. A queda é observada principalmente na Europa –houve queda de 4 pontos na Alemanha, 12 pontos na Espanha e 13 da Polônia, por exemplo. Uma das poucas exceções é a Argentina, onde subiu de 29% para 36%.

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Os brasileiros, por sua vez, confiam menos tanto em Biden quanto em Trump do que a média global: 37% e 26%, respectivamente. A visão positiva sobre o atual presidente também caiu —no ano passado, 43% diziam confiar no democrata.

Por outro lado, o país tem uma visão um pouco mais positiva sobre a democracia americana, com 31% afirmando que ela é um bom exemplo, 33% dizendo que ela deixou de ser, e 22% declarando que nunca foi.

Trump desperta mais confiança do que BIden apenas na Hungria, comandada pelo premiê de extrema-direita Viktor Orbán, e na Tunísia. Também destoam da média geral Gana, Israel, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, países em que cerca de metade da população dizem confiar no empresário.

O levantamento, realizado entre janeiro e maio, também investigou a opinião dos entrevistados sobre o desempenho de Biden em cinco áreas: problemas econômicos globais, relações com a China, mudança climática, Guerra da Ucrânia e em Gaza. O presidente americano não se sobressai em nenhum.

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A desaprovação mais alta ocorre em relação ao conflito no Oriente Médio: 57% fazem uma avaliação ruim do democrata; apenas 31% têm uma visão positiva. A desaprovação em relação à Ucrânia é um pouco menor (50% vs. 39%).

Os números não estão distante dos enfrentados por Biden dentro dos EUA. Inicialmente bem-recebido, o apoio dado pelo presidente a Tel Aviv foi perdendo tração conforme a crise humanitária em Gaza ganhou escala.

Alvo de críticas internas e externas, o americano vem adotando uma postura mais dura em relação ao aliado, mas a mudança não foi suficiente para aplacar essa oposição.

Mesmo em Israel, a atuação de Biden na guerra em Gaza é rejeitada por 6 em cada 10 pessoas. Em paralelo, a confiança no democrata despencou de 68% para 57% de 2023 para 2024.

O presidente americano tampouco consegue uma avaliação majoritariamente positiva em áreas bandeiras de seu mandato: a agenda climática e a recuperação econômica pós-Covid. Nesses dois pontos, a opinião sobre sua atuação é dividida: 44% desaprovam e 43% aprovam.

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O cenário externo mais uma vez se aproxima do interno. Economia é um dos principais pontos fracos de Biden na visão do eleitorado americano, enquanto o enorme pacote aprovado para a transição energética não tem sido um grande chamariz de votos.

Para o brasileiro, o pior desempenho de Biden se dá nos conflitos: 54% reprovam a atuação na Ucrânia e 53% a em Gaza. O americano também é mal avaliado na agenda climática (47% desaprovam) e na sua relação com Pequim (48% de rejeição).

A pesquisa perguntou ainda a visão geral sobre os EUA. Os resultados mostram estabilidade, com 54% afirmando ter uma visão favorável ao país e outros 31%, desfavorável.

O presidente americano também é melhor avaliado globalmente do que o líder chinês, Xi Jinping, e o russo Vladimir Putin –vistos como confiáveis por apenas 24% e 21%, respectivamente.

A visão dos brasileiros sobre os dois é ainda pior: apenas 15% dizem confiar em Xi e 10% em Putin. Os números são significativamente mais baixos do que em outros países da América Latina, como Argentina, Peru, e México.

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