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Mundial de Surfe chega a Abu Dhabi após preocupação com atleta bissexual

FolhaPress 13/02/2025 09:44

(UOL/FOLHAPRESS) - A etapa do Mundial de Surfe em Abu Dhabi nem começou, mas já esteve envolvida em polêmica. A escolha dos Emirados Árabes como palco da competição gerou preocupações sobre a segurança da bicampeã mundial Tyler Wright, primeira surfista de elite a se identificar publicamente como bissexual.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

CRÍTICAS À WSL

A indignação partiu de Lilli Wright, esposa de Tyler, e também do seu irmão Mikey Wright, ex-surfista da elite. Ele criticou a WSL por realizar uma etapa em um país onde sua irmã poderia sofrer represálias simplesmente por ser quem é.

"Vocês apoiaram a bandeira LGBTQIA+ no ombro dela, mas agora querem silenciá-la para levá-la a um local onde ela está em risco", escreveu Mikey nas redes sociais da entidade.

Lilli, por sua vez, reconheceu o privilégio de poder falar sobre o tema, mas destacou a contradição de realizar um evento internacional em um país onde a existência de atletas LGBTQIA+ pode ser um problema. "A identidade de Tyler não deveria ser um obstáculo em seu ambiente de trabalho", afirmou.

Em outra publicação, Lilli reforçou a gravidade da situação: "É difícil descrever o impacto emocional disso tudo. Estamos falando da segurança da minha esposa. Se ela decidir competir, saberemos que há leis que podem colocá-la em risco simplesmente por quem ela ama. Isso não deveria ser algo com que um atleta precisa se preocupar", escreveu em outubro do ano passado.

LEIS LOCAIS

SESC PICASSO

Nos Emirados Árabes Unidos, a homossexualidade é ilegal e pode levar a penas severas. Segundo um relatório do Departamento de Estado dos EUA de 2020, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo podem resultar em até 14 anos de prisão.

A legislação do país é parcialmente baseada na Sharia, um sistema jurídico derivado dos ensinamentos islâmicos que pode prever punições rigorosas para comportamentos considerados imorais ou contrários à religião.

Embora não haja registros da aplicação da pena de morte nesses casos específicos, a lei islâmica permite essa possibilidade em algumas interpretações.

HÁ OPÇÃO?

CONTADOR - BONUS

Uma alternativa para Wright seria não disputar a etapa. No entanto, o regulamento da WSL não prevê a possibilidade de um surfista faltar a uma competição do Mundial devido a riscos à sua identidade ou segurança. Caso ela decida não comparecer sem um atestado médico, poderia ser multada em até US$ 50 mil, além de perder pontos valiosos na briga pelo seu terceiro título mundial -ela é a atual líder do ranking, já que venceu o campeonato de estreia desta temporada, em Pipeline, no Havaí.

Tyler -ou qualquer outro surfista- também não pode criticar publicamente a escolha do local ou a decisão da WSL. O contrato assinado com a entidade proíbe declarações negativas sobre o circuito e prevê multa de mais US$ 50 mil, além de uma possível suspensão.

Até o momento, a WSL não se manifestou publicamente sobre as críticas.

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