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Multidão deixa ato na Coreia do Sul depois de boicote governista a impeachment

FolhaPress 07/12/2024 12:31

SEUL, COREIA DO SUL (FOLHAPRESS) - A multidão que se reuniu ao redor da sede do Parlamento da Coreia do Sul para acompanhar a votação de impeachment do presidente, Yoon Suk Yeol, neste sábado (7), esvaziou-se rapidamente depois do anúncio de que o processo tinha sido adiado em razão de um boicote do partido do governo, por volta das 21h (9h em Brasília).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Horas depois, porém, ainda restavam cerca de 50 pessoas no local. Gritavam, ininterruptamente: "Impeachment! Impeachment! Impeachment!".

A demonstração é um indício de que a crise política iniciada pela tentativa de autogolpe de Yoon do início desta semana pode continuar se agravando apesar do desenlace anticlimático da votação. Ao deixar a área dos atos, o oeste de Seul, diversos dos participantes disseram que voltariam a protestar.

A estudante de administração Hyunseo Lee, 20, disse à Folha acreditar que os protestos seguiriam, no entanto."O presidente Yoon ainda tem quase dois anos" de mandato, disse ela, acrescentando que não achava que a população permitiria que ele seguisse no poder.

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A pianista Eunhye Chung, 41, foi uma das que se comprometeu a voltar a protestar. "Vim aqui para destituir o presidente. [Com o adiamento do impeachment], ele pode tentar uma nova lei marcial ilegal."

O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, escapou do afastamento depois que a oposição não conseguiu, neste sábado, reunir apoio suficiente para removê-lo do cargo dias após uma tentativa de autogolpe.

Os deputados do governista PPP (Partido do Poder do Povo), ao qual pertence Yoon, boicotaram a sessão —entre os 108 aliados do presidente, apenas três congressistas, Ahn Cheol-soo, Kim Yea-ji e Kim Sang-wook, permaneceram no plenário, segundo informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

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O presidente da Assembleia, Woo Won-shik, afirmou que o número de votos não atingiu quórum necessário, inviabilizando o impeachment —nesse cenário, a oposição obtinha apenas 195 votos dos 200 necessários para que o afastamento fosse aprovado.

O principal membro da oposição da Coreia do Sul, o Partido Democrático, disse vai propor nova moção de impeachment em 11 de dezembro, a ser colocado em votação em 14 de dezembro, de acordo com a Yonhap. Já o PPP, de Yoon, disse que encontraria uma maneira "mais ordeira e responsável" de resolver a crise do que realizar o impeachment do presidente.

Horas antes da votação, na manhã de sábado no horário local (noite de sexta em Brasília), Yoon pediu desculpas em um comunicado à nação pela TV, em sua primeira fala após a deflagração da crise. Apesar de grande expectativa em torno de uma possível renúncia, disse que agiu motivado por desespero e que não declararia nova lei marcial.

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Yoon declarou lei marcial na Coreia do Sul na noite de terça-feira (3) pelo horário local, a primeira vez que uma medida assim foi tomada desde o fim da ditadura do país em 1987. O texto suspendia atividades políticas e liberdades civis e levou militares às ruas de Seul, que chegaram a invadir o Parlamento, mas recuaram.

A medida, classificada como tentativa de autogolpe pela oposição e analistas, foi uma tentativa de Yoon de amordaçar a oposição, com quem vive uma disputa política no Legislativo.

A lei marcial foi rejeitada por unanimidade na madrugada de quarta (4), tarde de terça no Brasil, em uma votação sem participação de parlamentares governistas, que ademais também se manifestaram contra a medida.

Enquanto a votação acontecia, milhares de sul-coreanos enfrentaram a temperatura em torno de 0ºC para protestar contra Yoon do lado de fora da Assembleia Nacional e pedir a prisão do presidente.

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