Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h54m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Milei quer modificar lei e criar espécie de Escola sem Partido na Argentina

FolhaPress 04/04/2024 15:18

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A disputa pelo que se ensina em sala de aula bate à porta das escolas argentinas. O governo Milei anunciou nesta quinta-feira (4) que submeterá ao Congresso um projeto para modificar a Lei de Educação e "penalizar o doutrinamento feito nas escolas".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nas palavras do porta-voz da Presidência, o economista Manuel Adorni, "é triste ver conteúdos e atos em escolas repletos de militância ideológica". Coincidentemente, ou não, também nesta quinta-feira o país teve uma paralisação de docentes escolares e universitários.

Ainda de acordo com Adorni, que falava na Casa Rosada, o Ministério do Capital Humano, uma super pasta que sob Milei unificou Educação e Trabalho, entre outros, irá criar um canal de denúncias para que pais e alunos "relatem doutrinação e atividade política nas escolas."

"Ou seja, eles vão poder denunciar quando não sentirem que seu direito à educação está sendo respeitado", seguiu ele.

Mais especificamente, o porta-voz adiantou que dois artigos da Lei de Educação serão modificados, mas sem detalhar como serão os adendos ou supressões. São eles, o artigo 11, que dita quais são as finalidades da educação na Argentina, e o 126, sobre os direitos dos estudantes.

SESC PICASSO

Nenhum comentário sobre as modificações foi adiantado, mas estes são capítulos com temas comumente sensíveis. Neles está dito que é responsabilidade das escolas fornecer conhecimentos e promover valores para a formação de uma "sexualidade responsável" e para a "eliminação de todas as formas de discriminação social".

O assunto que já vinha margeando o governo do autoproclamado libertário Javier Milei, mas seu porta-voz forneceu como exemplo da ponta do iceberg para a mudança um episódio recente, quando um ato sobre a Guerra das Malvinas no último dia 2 causou desconforto em Punta Indio, na província de Buenos Aires.

Na ocasião, uma professora de história do ensino médio discursou e disse que era preciso refletir sobre o papel da imprensa no apoio à disputa pelas Malvinas, um dos atos derradeiros da última ditadura militar na Argentina. Veteranos do conflito presentes levantaram e saíram antes do fim do ato convocado pela administração pública local.

CONTADOR - BONUS

Vídeos no momento nas redes sociais mostram veteranos e familiares dizendo, entre outras coisas, que aquele não era o momento propício para questionamentos do tipo. O porta-voz Manuel Adorni disse nesta quinta-feira que o ato "ofendeu familiares, estudantes e veteranos das Malvinas", arquipélago disputado com o Reino Unido e cuja imagem estampa as laterais de diversos transportes públicos na Argentina.

No decorrer da última década, não têm sido incomuns movimentos ao redor do mundo que pleiteiem o fim do que chamam de "doutrinação" nas escolas. No Brasil, por exemplo, o movimento ganhou palanque na forma do Escola Sem Partido como plataforma eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Há também numerosos exemplos nos Estados Unidos, como na Flórida governada pelo republicano Ron DeSantis.

Educação sexual e temas que flertem com a chamada teoria crítica da raça, que versa sobre o racismo como uma prática estrutural das sociedades, são alguns dos temas mais visados por esses grupos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Desde que Milei assumiu, em dezembro passado, há expectativa de possíveis avanços de seu governo contra a chamada Educação Sexual Integrada, uma alteração na legislação promovida em 2006. O próprio Milei e outros membros de seu partido, o Liberdade Avança, afinal, criticaram a existência desse mecanismo, alguns deles argumentando que era uma forma de doutrinação e de destruição das famílias.

Lei de educação sexual em escolas argentinas pode retroceder com Milei, dizem especialistas Nesta quinta-feira, uma paralisação convocada pela Ctera, a Confederação de Trabalhadores da Educação da República da Argentina, cruzou os braços dos trabalhadores do setor. Trata-se do segundo dia de greve desde o início do ano letivo de 2024.

Além de melhores salários, a categoria exige o restabelecimento do Fundo de Incentivo Docente, um mecanismo criado em 1998 para transferir recursos adicionais que permitam às províncias argentinas incrementar os salários de professores em valores de 10% a 20% de suas remunerações. O governo Milei já disse que descontará o dia de salário daqueles que participaram da paralisação.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas