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Mata Atlântica recupera áreas, mas pressão sobre vegetação secundária preocupa

MapBiomas aponta avanço da regeneração no bioma, ao mesmo tempo em que agricultura, silvicultura e urbanização continuam transformando o uso do solo

Vitória News 21/09/2026 10:51
Mata Atlântica recupera áreas, mas pressão sobre vegetação secundária preocupa
Foto: Fernando Frazão/ABr

A Mata Atlântica apresenta sinais importantes de recuperação ambiental, mas ainda convive com forte pressão sobre áreas de vegetação nativa e regenerada. Levantamento divulgado nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore, pelo MapBiomas mostra que, em 41 anos, mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária voltaram a crescer após terem sido desmatados.

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Os dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, que acompanha as mudanças de cobertura e uso da terra no Brasil entre 1985 e 2025.

Apesar do avanço da regeneração, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura no mesmo período. Atualmente, um em cada quatro hectares de vegetação nativa existente na Mata Atlântica corresponde a áreas que se recuperaram depois de algum processo de desmatamento.

O levantamento mostra que a regeneração tem papel crescente na recuperação do bioma, mas essas áreas também passaram a sofrer maior pressão. Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares de vegetação na Mata Atlântica. Desse total, 700 mil hectares eram de vegetação secundária e 500 mil hectares de vegetação madura.

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Isso significa que 60% da vegetação suprimida nos últimos cinco anos estava em áreas que haviam conseguido se regenerar.

Ao mesmo tempo, a série histórica aponta uma tendência de redução da perda de vegetação nativa. Desde os anos 2000, a área suprimida permaneceu abaixo de 2 milhões de hectares em cada período de cinco anos analisado.

Rio de Janeiro e São Paulo foram os únicos estados que, segundo o levantamento, não apresentaram perda líquida de vegetação nativa ao longo dos 41 anos.

Para o MapBiomas, a regeneração é fundamental para a recuperação da Mata Atlântica, mas precisa vir acompanhada de medidas capazes de evitar novas perdas tanto de vegetação madura quanto das áreas que estão em processo de recuperação.

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A Mata Atlântica ocupa aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados e está presente em 15 estados. Em 2025, a vegetação nativa correspondia a 32% do território do bioma, enquanto a agropecuária ocupava 63%.

No mesmo período, a agricultura avançou cerca de 11 milhões de hectares. Parte significativa dessa expansão ocorreu sobre áreas anteriormente destinadas à pastagem, que perderam aproximadamente 11 milhões de hectares desde 1985.

A soja foi uma das culturas que mais avançaram. Em 41 anos, ganhou 8,7 milhões de hectares e passou a ocupar 11,11 milhões de hectares dentro da área do bioma. A cana-de-açúcar cresceu 5 milhões de hectares e chegou a 6,15 milhões.

Em 2025, a Mata Atlântica concentrava 25% da área de soja mapeada no país, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café e 34% da área de citros.

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A silvicultura também apresentou crescimento expressivo, com aumento de 3,8 milhões de hectares desde 1985. Em 2025, ocupava 4,9 milhões de hectares no bioma e representava metade de toda a área de silvicultura mapeada no Brasil.

As cidades também avançaram sobre o território. As áreas urbanizadas da Mata Atlântica cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2025, com acréscimo de 1,3 milhão de hectares. No ano passado, 52% de toda a área urbanizada do país estava inserida no bioma.

Os números mostram que a recuperação ambiental já ocorre em várias regiões, mas também reforçam a necessidade de proteger as áreas regeneradas, conter novas perdas e conciliar produção agrícola, expansão urbana e conservação.

A preservação da vegetação remanescente e a recuperação de áreas degradadas são apontadas como estratégicas para ampliar a biodiversidade, proteger recursos hídricos e aumentar a capacidade de adaptação da Mata Atlântica às mudanças climáticas.

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