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Mais de 130 opositores foram presos na Venezuela desde janeiro, diz ONG

FolhaPress 26/07/2024 19:24

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cerca de 135 pessoas ligadas à campanha presidencial do ex-diplomata Edmundo González, adversário do ditador Nicolás Maduro no pleito deste domingo (28), foram presas pelo regime da Venezuela desde janeiro, disse nesta sexta-feira (26) a ONG Fórum Penal, que defende presos políticos no país.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"De janeiro até agora, foram 149 prisões arbitrárias por motivos políticos, das quais 135 estão diretamente ligadas à turnê nacional e à campanha de María Corina Machado e Edmundo González Urrutia", disse o diretor da ONG, Gonzalo Himiob.

"A maioria deles já foi libertada, alguns nem sequer foram processados, mas 47 permanecem privados de liberdade neste momento", continuou, em fala à agência de notícias AFP.

María Corina, representada nas urnas eleitorais por González depois que o regime cassou seus direitos políticos, denunciou uma escalada da repressão contra a campanha da oposição, sua equipe e seus colaboradores de confiança, seis dos quais estão refugiados na embaixada argentina em Caracas.

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Comerciantes e empresários também estão entre os presos. Da mesma forma, as autoridades fecharam estabelecimentos que prestavam serviços a opositores.

A campanha eleitoral da Venezuela, que começou em 4 de julho e terminou nesta quinta-feira (25), foi marcada por relatos de repressão e detenções de opositores, a quem o regime acusa de planejar ignorar os resultados e procurar a violência para derrubá-lo.

Maduro marca apenas cerca de 25% das intenções de voto, enquanto González tem 60%, de acordo com pesquisas eleitorais que se baseiam em um alto comparecimento nas urnas, fato que não é garantido em um país com voto facultativo como a Venezuela.

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O último dia da campanha em Caracas foi marcado por atos do chavismo e da oposição em bairros diferentes da capital venezuelana. A caravana de María Corina e González começou ao som do jingle "Todo el Mundo con Edmundo", logo substituído pelo barulho incessante das centenas de motos que aglutinavam apoiadores e por gritos de apoio.

María Corina voltou a repetir seu pedido comum nestes dias: "Vamos contar 'papelito por papelito'". É um apelo para que os eleitores participem da auditoria dos votos após o fim da votação no domingo. A oposição demonstra desconfiança em relação ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e diz que só acreditará nas atas das urnas que forem tornadas públicas.

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Já na avenida Bolívar, no centro da capital, as ruas foram tomadas por apoiadores do chavismo, com centenas de bandeiras da Venezuela e de partidos da aliança eleitoral da ditadura.

Maduro repetiu a ideia que já havia levantado em outros comícios de que pode haver violência caso não seja vitorioso. "Só um presidente chavista é capaz de garantir a paz. Só nós garantimos a paz e a estabilidade deste país chamado Venezuela. Só nós garantimos o crescimento econômico, superamos a crise de desabastecimento frente à guerra econômica."

"No domingo se decide o futuro da Venezuela pelos próximos 50 anos. Paz ou guerra? Bagunça ou tranquilidade? Extrema direita ou chavismo? Fascismo ou democracia popular? Capitalismo selvagem ou socialismo cristão? Eu digo: para mim está claro", afirmou Maduro. "Ou haverá paz, ou se acabará a tranquilidade."

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