Mais da metade dos gaúchos estima que reconstrução vai demorar mais de 3 anos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois meses depois do início das enchentes no Rio Grande do Sul, e com inundações se repetindo a cada temporal ao longo desse período, mais da metade (57%) dos gaúchos estima que a reconstrução do estado levará ao menos três anos para se completar.

Os dados são de uma pesquisa Datafolha que entrevistou 567 pessoas com mais de 16 anos no estado, realizada entre os dias 17 e 22 de junho. A margem de erro para essa amostra é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A maior parte dos gaúchos se coloca entre os mais pessimistas ao avaliar o tempo que será necessário para o estado se recuperar plenamente das chuvas dos últimos meses. Quase quatro em cada dez (39%) diz que serão necessários mais de quatro anos para a reconstrução, maior prazo entre as opções no questionário da pesquisa.

Em seguida, 25% dizem que a recuperação pode ser alcançada no prazo de um a dois anos. Outros 18% dizem que a tarefa deve levar entre três e quatro anos —que, somados aos mais pessimistas, tornam-se mais da metade dos entrevistados.

Só 5% dizem acreditar que a recuperação levará menos de seis meses, e outros 11% dizem que ela será feita no prazo de seis meses a um ano.

A mesma pesquisa Datafolha entrevistou 2.457 brasileiros em todo o país sobre suas percepções sobre as mudanças climáticas, mas apenas os moradores do Rio Grande do Sul foram questionados sobre os prazos para a reconstrução.

Há pouca variação entre as estimativas de moradores do interior do estado e da região metropolitana de Porto Alegre para o tempo de reconstrução. Nos dois casos, a maior parte das respostas se concentra no prazo de um a mais de quatro anos, com diferenças que se mantêm dentro da margem de erro.

As respostas sobre a reconstrução da infraestrutura do estado, no entanto, contrastam com a opinião dos gaúchos sobre a volta à normalidade em seu próprio dia-a-dia.

Quando questionados sobre o tempo necessário para retomar a rotina anterior às enchentes, 33% dos entrevistados dizem que um mês será suficiente. Em todo o estado, 74% dos entrevistados dizem que será possível retornar à normalidade em no máximo um ano.

As estimativas são melhores nas cidades do interior gaúcho, onde 42% respondem que devem voltar à rotina em até um mês, e outros 29% respondem com prazos entre um mês e um ano. Entretanto, dois em cada dez entrevistados no interior não sabem responder quanto tempo será necessário para voltar à rotina anterior ao desastre.

Na região metropolitana de Porto Alegre, em contraste, 26% dos entrevistado dizem que devem voltar à normalidade dentro de um mês. Mais da metade (52%) dos moradores nessa região falam em retomar a velha rotina num prazo maior do que um mês e menor do que um ano, outros 13% estimam que será necessário um período de um a quatro anos. Neste caso, 7% não souberam responder.

Se entre negros e pobres há mais pessoas que relatam ter perdido patrimônio e renda por causa das enchentes, essa população também tem estimativas piores para o tempo necessário para a reconstrução.

Mais de três a cada dez (37%) entrevistados brancos respondem que sua família conseguirá voltar à rotina anterior às enchentes em até um mês, o que corresponde à resposta mais frequente para esse segmento da população. Em seguida, 14% estimam que será necessário entre um e três meses, e outros 14% dizem que será necessário de seis meses a um ano.

Ao mesmo tempo, só 18% dos pretos no Rio Grande do Sul respondem que suas famílias conseguirão voltar à normalidade em menos de um mês. A resposta mais frequente para essa população, que corresponde a um em cada quatro entrevistados (26%), é que será necessário de seis meses a um ano para voltar à rotina.

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