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Mãe soube da morte de filho 48 h após operação no Rio e aguarda liberação de corpo no IML

FolhaPress 31/10/2025 11:31

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Ana Lucia Nunes, 48, conta ter passado terça (28) e quarta-feira sem ter ideia de que o filho Richard Souza dos Santos, 20, era um dos mortos na megaoperação nos complexos da Penha do Alemão.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Moradora de Piabetá, distrito de Magé, região metropolitana do Rio de Janeiro, Ana Lucia não sabia que o filho estava na capital. Soube quando recebeu uma fotografia do corpo, em mensagem enviada pela ex-companheira de Richard. Eram 10h de quinta, mais de 48 horas depois do início da operação que deixou 121 mortos, segundo contagem oficial.

Na foto, diz a mãe, o corpo estava junto ao pé de uma árvore na área de mata do complexo da Penha, onde aconteceu a maior parte do tiroteio entre traficantes e policiais.

Ana Lucia afirma ter acompanhado a operação assustada, mas sem indícios de que seu filho estava ali. Richard não costumava dar à mãe pistas de seu paradeiro. Fazia visitas rápidas e apressadas.

Ela fez um cadastro na quinta, quando chegou ao Detran do centro da cidade, onde as famílias de mortos são recebidas. Deu as características do filho e recebeu a informação de que o corpo havia sido reconhecido por meio das digitais, mas não viu o corpo pessoalmente.

"Se demorar mais, em que condições vou enterrar? Entrei na antessala do IML e ali já está fedendo", afirma.

Ana Lucia conta ter feito acordo para que o enterro seja gratuito.

SESC PICASSO

Ela aparenta desespero quando recebe a informação de que parte dos corpos está no chão do IML. Quem informa a ela é Ivone Viana Santos, 49, mãe de Wellington dos Santos de Jesus, 28, também morto.

Ana Lucia e Ivone se conheceram na porta do Detran. Em comum entre elas está o fato de terem pouco ou nenhum contato com moradores dos complexos.

Natural da Bahia e moradora de Vila Velha, no Espírito Santo, Ivone também soube por foto da morte do filho, na manhã de manhã. Embarcou no carro e dirigiu até o Rio para agilizar a liberação do corpo, mas ainda não conseguiu. De quinta para sexta dormiu em um abrigo público no centro. Nesta sexta não sabe onde vai dormir.

Espera receber até a noite a liberação do corpo para fazer o sepultamento em Eunápolis (BA), cidade natal da família.

CONTADOR - BONUS

Ivone diz saber que o filho mantinha envolvimento com o tráfico de drogas e que ele estava no complexo da Penha.

"Eu era a mais próxima [do Rio] por estar no Espírito Santo, meio do caminho entre Bahia e Rio. Deixei meu filho de 5 anos lá e estou aqui, no aguardo da ligação que não chega. Eu tinha uma visão do Rio de Janeiro que se destruiu. Estou completamente decepcionada com esse estado."

A Polícia Civil afirmou que até a noite de quinta (30) cerca de cem corpos já haviam passado por necropsia e parte deles, ao menos 15, segundo a Folha de S.Paulo apurou, foi liberado. O Ministério da Justiça anunciou o envio de peritos para auxiliar na necropsia, exames de balística e identificação civil.

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