Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 11h26m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Lula fala com presidentes da Colômbia e do México sobre crise na Venezuela

FolhaPress 01/08/2024 19:01

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversará, na tarde desta quinta-feira (1º), com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Andrés Manuel Lopez Obrador, a respeito da crise na Venezuela. Os países trabalham numa nota conjunta sobre ela.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os três líderes adotaram tons diferentes ao comentar a situação, mas compartilham a posição de não reconhecer o resultado da eleição e demandar a apresentação das atas eleitorais, documentos que garantem a lisura do processo eleitoral ao permitir o cruzamento do número total de votos computados com a quantidade de votos para cada candidato.

A vitória de Nicolás Maduro foi declarada pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano (CNE) pouco depois da votação. O órgão, alinhado ao chavismo, afirmou que, com 80% das urnas apuradas, o ditador teria obtido 51,2% votos, enquanto o opositor Edmundo González teria 44,2% deles, diferença o suficiente para tornar o resultado irreversível.

SESC PICASSO

A principal coalizão opositora diz, porém, que teve acesso a um percentual significativo das atas e que elas dão vitória a Edmundo González. Há ainda levantamentos diferentes, feitos com base em amostragens, que também apontam vitória do opositor.

A justificativa do regime para a não publicação das atas é um suposto ataque hacker ao sistema do CNE.

Lula participa da ligação a partir do Palácio da Alvorada, com o chanceler Mauro Vieira.

Mais cedo, Obrador já tinha mencionado a possibilidade da conversa. Na ocasião, ele também criticou a postura da OEA (Organização dos Estados Americanos), que questionou o resultado eleitoral venezuelano em uma reunião de emergência na véspera.

CONTADOR - BONUS

"Nós atuamos com prudência para não nos intrometermos em um assunto que pertence, fundamentalmente, aos venezuelanos. Por isso, nos posicionamos de modo que, primeiro, não haja violência. Segundo, a vontade dos venezuelanos seja respeitada. Terceiro, que sejam apresentadas as provas, as atas, do resultado eleitoral. Quarto, que não haja ingerência", disse.

"O que aconteceu, lamentavelmente, com o secretário-geral da OEA", prosseguiu, referindo-se a Luis Almagro. Figura polêmica na política da América Latina, o uruguaio afirmou que pediria a prisão de Maduro ao TPI (Tribunal Penal Internacional), em Haia, após uma reunião extraordinária do organismo multilateral nesta quarta (31).

Anuncio - Raimundo - Bonus

AMLO, como o mexicano é conhecido, disse que ele fez as imputações de maneira premeditada, "sem ter provas de nada".

Ocorridas no fim de semana, a eleições na Venezuela têm trazido desgastes ao governo Lula, segundo auxiliares do presidente.

Adversários do petista já vinham explorando a proximidade histórica de Lula com o chavismo logo depois do pleito. Mas a divulgação da nota do PT, que afirmou que o processo eleitoral venezuelano foi democrático e soberano, e a declaração de Lula de que não via "nada de anormal" nele alimentaram críticas até mesmo entre aliados.

O desconforto aumentou ainda mais diante da denúncia do Carter Center, um dos poucos observadores independentes que tiveram permissão para acompanhar a votação, de que a eleição não pode ser considerada democrática, uma vez que o regime persegue opositores, entre outros fatores.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas