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Lula diz no G7 que ataques de Israel ao Irã transformam Oriente Médio em 'único campo de batalha'

FolhaPress 17/06/2025 19:24

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (17) que o conflito entre Irã e Israel pode transformar o Oriente Médio em "único campo de batalha". A declaração foi dada durante reunião ampliada do G7, com países-membros e convidados, nas montanhas de Kananaskis, no Canadá.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Os recentes ataques de Israel ao Irã ameaçam fazer do Oriente Médio um único campo de batalha, com consequências globais inestimáveis", disse Lula sem fazer referência nenhuma à retaliação de Teerã.

Desde a última sexta-feira (13), Israel tem feito bombardeios contra instalações militares e nucleares no Irã, matando cientistas e comandantes importantes, o que levou Teerã a responder com drones e mísseis lançados contra território israelense.

O presidente brasileiro disse ainda que nada justifica a "matança indiscriminada" de mulheres e crianças e o "uso da fome como arma de guerra" na Faixa de Gaza, numa crítica reiterada à ofensiva de Tel Aviv no território palestino em resposta ao atentado terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023. "Ainda há países ainda que resistem em reconhecer o Estado palestino, o que evidencia sua seletividade na defesa do direito e da justiça", prosseguiu Lula.

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A última afirmação foi um dos recados indiretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o brasileiro, que há uma "falta de liderança" patente para resolver os conflitos pelo mundo e cobrou atuação da ONU para acabar com guerras.

Trump, embora seja membro do G7, não participou da reunião -o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o representou. O americano deixou a cúpula antecipadamente nea segunda-feira (16) devido ao agravamento da guerra entre Irã e Israel.

O G7 é composto por Canadá, que sedia a cúpula do grupo este ano, Estados Unidos, Reino Unido, a França, a Alemanha, a Itália e o Japão. A União Europeia também faz parte. O Brasil foi um dos seletos países não membros convidados para participar da reunião ampliada do bloco, que também inclui África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Índia e México.

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Lula também citou em seu discurso o conflito entre Rússia e Ucrânia, dizendo que ambas as partes "sabem que não atingirão seus objetivos por via militar". Segundo o presidente, "só o diálogo entre as partes pode conduzir a um cessar-fogo e pavimentar o caminho para uma paz duradoura."

"Não subestimo a magnitude da tarefa de debelar todas essas ameaças. Mas é patente que o vácuo de liderança agrava esse quadro", afirmou o brasileiro, depois de mencionar também o cenário de crises sobrepostas no Haiti.

Lula então lembrou que três dos líderes sentados à mesa tem cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU e defendeu a volta do protagonismo da instituição para solucionar os embates. Uma posição no colegiado das Nações Unidas é uma demanda histórica da diplomacia brasileira.

Na véspera da reunião ampliada do G7, o grupo emitiu uma declaração na qual afirma que o Irã é responsável pelo "instabilidade e terror" e pediu uma desescalada nas hostilidades no Oriente Médio. O documento teve o aval do presidente dos Estados Unidos. O texto, embora pregue a redução do conflito, diz que Israel tem o direito de se defender. Foi diante desse contexto que Lula deu sua declaração.

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Está é a nona participação do presidente brasileiro no G7. Ainda na segunda, pouco depois de chegar ao Canadá, Lula disse a jornalistas que o grupo é inócuo com a existência do G20. Foi uma declaração em resposta a um questionamento acerca de uma fala de Trump, que reclamou do fato de a Rússia não participar mais do grupo -Moscou integrou o G7 de 1998 a 2014, quando foi expulso depois de anexar a Crimeia, então território da Ucrânia.

"No fundo, depois do G20, não há nem necessidade de existir o G7. O G20 é mais representante. Agora, é uma questão cultural isso", disse Lula. "[O G7] existe desde 1975, desde a crise do petróleo. Os primos ricos se reúnem, mas eles estão no G20. Acho que o G20 tem mais importância, densidade humana. De qualquer forma, sou convidado desde que fui eleito em 2003 e eu participo para não dizer que eu recuso a festa dos ricos", disse.

Lula teve nesta terça uma reunião com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e terá outra com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. Ele teria um encontro com o premiê alemão, Friedrich Merz, que acabou não ocorrendo.

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