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Lula diz a embaixadores que é preciso manter a paz na América Latina e critica intervenções estrangeiras

FolhaPress 20/10/2025 11:53

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou intervenções estrangeiras no Caribe durante cerimônia em que recebeu embaixadores nesta segunda-feira (20), no Palácio do Itamaraty.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Na América Latina e Caribe também vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente livre de armas e destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar dandos maiores do que se pretende evitar", declarou.

"O que nós queremos é mostrar ao mundo que queremos fortalecer o multilateralismo, que é baseado na boa relação cordial, comercial, econômica, e, sobretudo, uma relação pacífica. Sem ódio, sem negacionismo e sem ferir o princípio básico da democracia e dos direitos humanos. Sejam bem-vindos ao Brasil", declarou.

O evento é a entrega de cartas credenciais de novos embaixadores estrangeiros lotados no Brasil. Entre eles, os de Emirados Árabes, Bélgica, Sudão e Malásia.

O presidente brasileiro viaja para o continente asiático nesta terça-feira (21), e o ponto alto do giro será a cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), na Malásia, onde deve ter encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump.

SESC PICASSO

Lula não citou nominalmente os Estados Unidos e a Venezuela. Nenhum dos dois países estava representado no evento desta segunda. No caso dos EUA, o governo Trump ainda não designou um embaixador no Brasil, e o cargo está vago desde janeiro.

Na semana passada, Trump confirmou ter autorizado a CIA, a agência de espionagem americana com longo histórico de interferência na América Latina, a realizar operações secretas na Venezuela com o objetivo de derrubar o ditador Nicolás Maduro. O governo americano direcionou vários navios de guerra para o mar do Caribe e, atualmente, mantém ao menos dez embarcações na região. Os EUA têm atacado embarcações venezuelanas, afirmando serem narcoterroristas.

CONTADOR - BONUS

Lula pretende argumentar, em uma eventual reunião presencial com Trump, que ações militares dos EUA na Venezuela levariam à desestabilização de governos de diversos países e teriam consequências graves para toda a região.

O petista também deve afirmar a Trump que uma intervenção com o objetivo de "mudança de regime" (troca de governo) na Venezuela pode ter efeitos contrários aos que o republicano argumenta buscar. Segundo um alto funcionário do governo brasileiro, Lula pretende passar a mensagem de que qualquer ataque contra o território venezuelano vai causar instabilidade em toda a região, o que levaria ao fortalecimento do crime organizado e do tráfico de drogas na América Latina.

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