O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende fazer uma série de cortes em programas sociais caso seja eleito presidente da República. Citou uma série de cortes previstos no Orçamento de 2023, enviado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, previa uma série de cortes.
"Vou dizer o que significa tesouraço para essa gente. Corte de 59% do Farmácia Popular, foi o que encontrei no Orçamento para eu começar a trabalhar. Corte de 50,7% para o Mais Médicos. Corte de 45% para prevenção e controle do câncer. Corte de 97% na verba para infraestrutura escolar. Corte de 99% para prevenção de desastres. Foi uma aberração, apenas R$ 20 mil para trabalhar todos os problemas de calamidade", afirmou, em entrevista coletiva a jornalistas nesta quinta-feira, 8.
Lula continuou: "Corte de 95% para o Minha Casa, Minha Vida. Corte de mais de 90% para cisternas do semiárido. Corte de 95% para o sistema único de assistência social. Merenda escolar ficou cinco anos sem receber nenhum reajuste. E agora dizem que farão corte".
O presidente disse que, "no Brasil, toda vez que um governo fala que vai fazer corte, quando faz teto de gastos e fala em ajuste fiscal, eles não fazem para o rico perder alguma coisa, eles fazem a proposta para tirar do pobre".
Lula também afirmou que "aumentar o salário mínimo além da inflação para os aposentados não está na cogitação de nenhum governo conservador deste País".
As declarações ocorrem em meio ao debate eleitoral sobre ajuste fiscal e trajetória da dívida pública. Flávio Bolsonaro (PL) e integrantes de sua equipe econômica têm defendido um corte expressivo de despesas como parte de uma estratégia para reduzir o endividamento, embora ainda haja divergências e indefinições sobre quais gastos seriam atingidos.
Lula disse que a redução da relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) depende do crescimento da economia. A declaração foi dada em conversa com jornalistas.
"Só tem um jeito de fazer dívida reduzir com PIB, fazendo economia crescer", disse Lula. O presidente também afirmou que, nos oito anos de seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, o governo registrou superávit primário em todos os anos.
"Vocês se lembram que a última vez que a economia cresceu acima de 3% foi em 2010, quando eu fui presidente, e só voltou a crescer quando eu voltei à Presidência", afirmou.
Lula disse ainda que pretende combinar o controle das contas públicas com investimentos para estimular a atividade econômica. "Ao mesmo tempo, vamos fazer a economia crescer com obras de infraestrutura", declarou, citando como exemplos as diferentes etapas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).