Lula chega a Itália para cúpula do G7 e deve participar de debate sobre IA, energia e África

PUGLIA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta (14) da reunião de cúpula do G7, que acontece até este sábado na Puglia, no sul da Itália. Ele foi recebido pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, por volta das 14h30 locais (9h30 de Brasília).

Em seguida, Lula se juntou aos líderes dos países que formam o grupo, com algumas das maiores economias do mundo, e a outros convidados. Faz parte do grupo o papa Francisco, primeiro pontífice a participar de um G7, considerado –ao menos pela imprensa italiana– a grande estrela do dia.

O presidente participa da sessão que debate inteligência artificial, energia, o continente africano e o Mediterrâneo. Nela, os principais oradores são Francisco, por suas posições sobre a inteligência artificial, e o presidente da União Africana, Ould Ghazouani. O continente foi apontado como uma das prioridades do governo italiano para o G7.

Em sua oitava participação desde 2003, Lula foi convidado para esta edição especialmente devido à presidência rotativa do Brasil no G20. Em entrevista publicada nesta sexta pelo jornal italiano La Repubblica, Lula defendeu o fortalecimento do grupo. “O G20 compreende a União Africana, os países do G7 (que nem são mais as sete maiores economias do mundo) e os Brics. Se fosse reforçado, esses outros blocos nem precisariam existir”, disse.

Classificado por Meloni como o “maior desafio antropológico desta era”, o tema IA já foi abordado pelo papa em cerca de 20 discursos nos últimos anos, sendo um dos mais importantes a mensagem para o Dia Mundial da Paz, publicada em dezembro e inteiramente dedicada à IA.

Mais que se opor ou resistir a essa ferramenta, Francisco alerta para o risco de que a IA não seja um multiplicador de desigualdades e para os impactos que pode ter no mercado de trabalho. Em sua visão, proteger trabalhadores não significa deixar de aplicar a IA, mas fazer com que haja um planejamento para a criação de novos postos.

Após o encerramento da sessão, no fim da tarde, os líderes têm tempo reservado para encontros bilaterais. Na agenda de Lula, estão previstas conversas com os presidentes Recep Tayyip Erdogan (Turquia) e Emmanuel Macron (França), o primeiro-ministro Narendra Modi (Índia), com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o papa. Segundo o Itamaraty, o único pedido de bilateral feito pelo Brasil foi com Francisco –todos os outros foram recebidos.

No fim do dia, os líderes, com seus acompanhantes, serão recebidos por Meloni para um jantar no resort de luxo Borgo Egnazia, onde acontece a cúpula. Antes, porém, assistem a um espetáculo de dança e a uma apresentação do tenor Andrea Bocelli.

O primeiro dia do G7, nesta quinta, foi marcado pela participação do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e pelo anúncio do acordo que prevê empréstimo de US$ 50 bilhões para Kiev, viabilizado com o uso de dinheiro russo que foi congelado em instituições europeias após o início da invasão, em 2022. O ucraniano assinou também um acordo bilateral de segurança com os EUA, com duração prevista de dez anos.

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