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Leis antitrans elevam risco de suicídio de jovens nos EUA, diz estudo

FolhaPress 19/10/2024 05:45

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A promulgação de leis contra pessoas transexuais nos Estados Unidos tem aumentado o risco de suicídio entre jovens. É o que diz um estudo feito a partir de entrevistas com mais de 60 mil pessoas trans de 13 a 24 anos de idade em todos os 50 estados americanos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nos últimos anos, tem crescido --tanto nos EUA como no Brasil-- o número de legislações que buscam cercear direitos da população trans. Algumas leis vetam discussões sobre identidade de gênero na sala de aula, enquanto outras proíbem o acesso de pessoas trans a banheiros, competições esportivas e serviços de saúde.

Agora, a pesquisa publicada na revista acadêmica Nature Human Behaviour joga luz sobre os efeitos dessa ofensiva legislativa na saúde mental dos membros de uma das parcelas mais marginalizadas da comunidade LGBTQIA+.

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O estudo, lançado no final de setembro, identificou que a aprovação de leis estaduais antitrans nos EUA aumentou em até 72% as tentativas de suicídio entre jovens transgêneros e não binários. Os efeitos foram mais agudos entre adolescentes de 13 a 17 anos.

"Nossa análise demonstra uma clara associação entre a promulgação de leis antitrans e o aumento das taxas de tentativas de suicídio entre jovens transgêneros e não binários nos estados analisados", diz Ronita Nath, vice-presidente de Pesquisa da The Trevor Project, ONG que trabalha pela prevenção do suicídio entre pessoas LGBTQIA+ nos EUA. Os autores da pesquisa são membros da entidade.

"Esse achado indica que a exposição às leis antitrans tem um impacto negativo na saúde mental dos jovens transgêneros e não binários, levando a um aumento nas tentativas de suicídio, independentemente das taxas de base em qualquer estado específico", afirma.

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Em estados onde leis antitrans têm avançado de forma mais intensa, como Texas e Flórida, há relatos de famílias que se mudaram para outras partes do país a fim de proteger seus filhos da discriminação.

Os ataques à população trans viraram também tema das eleições nos EUA. De acordo com o jornal The New York Times, a campanha do Partido Republicano gastou mais de US$ 65 milhões (aproximadamente R$ 370 milhões) em anúncios televisivos de teor antitrans.

No Brasil, há pelo menos 77 leis municipais e estaduais antitrans em 18 unidades da federação, de acordo com levantamento da Folha de S. Paulo publicado em janeiro. Mais de um terço entrou em vigor no ano passado.

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Proponentes dessas leis negam que elas tenham caráter antitrans, afirmando que ajudam a proteger os direitos de crianças e mulheres e a resguardar a liberdade religiosa. Por outro lado, especialistas dizem que essas normas promovem a institucionalização da transfobia.

"Políticas antitrans impedem o acesso à cidadania, à própria humanidade e dignidade", afirma Vincent Pereira Goulart, doutorando em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Ao serem entendidas como inimigas, pessoas trans acabam isoladas e marginalizadas."

De acordo com Goulart, as tentativas de suicídio entre pessoas trans têm relação com o abandono familiar e com a falta de acesso a direitos básicos. "Prevenção de suicídio é minar a pobreza, é dar condições dignas de vida, é saúde e educação de qualidade, moradia, trabalho digno e acesso à cidadania", diz.

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