Lecar desiste de carro elétrico brasileiro e quer fazer híbridos flex

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS0 – O primeiro carro nacional 100% elétrico está morto. Nesta quinta (27), a Lecar anunciou que o projeto inicial será substituído pela tecnologia híbrida flex, capaz de rodar com eletricidade, gasolina e etanol.

“Estamos desistindo dos elétricos para entrar nos híbridos, temos acompanhado as notícias globais”, diz Flávio Figueiredo Assis, empresário capixaba que iniciou o projeto em 2022 e sonhava ser o Elon Musk brasileiro.

Ele afirma que sua própria experiência de usuário -seu carro de uso cotidiano é um Tesla Model 3- o ajudou a tomar a decisão.

“Estou há três anos rodando com o Tesla. Em shoppings, não se encontram mais vagas livres para recargar”, afirma Assis, citando ainda preocupações com a futura legislação para vagas em condomínios de São Paulo e a dificuldade de se viajar com um modelo que não tenha motor a combustão.

O comunicado divulgado nesta quinta (27) pela direção da Lecar diz que “a grandiosidade dos carros elétricos era muito mais um sonho do que uma realidade benéfica para o mercado. Por mais que as contribuições destes modelos ao meio ambiente sejam indiscutíveis, na prática, a prevalência deste nicho pode trazer mais transtornos do que verdadeiras soluções à mobilidade.”

A nota diz ainda que foram feitos vários estudos antes de ser anunciada a desistência de atuar no segmento de 100% elétricos. No início deste ano, Assis havia confirmado à Folha que o início da produção seria direcionado apenas aos modelos que não queimam combustível.

A meta era começar a montar os veículos em dezembro deste ano para lançá-los no começo de 2025, o que não será mais viável. A futura montadora ainda não divulgou um novo cronograma e nem o local de produção em grande escala.

Em fevereiro, após visita às antigas instalações da Ford em Camaçari, Assis aproveitou uma brecha no chamamento público feito pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia e enviou uma proposta de compra para a fábrica, que já era considerada da BYD.

No dia 4 de março, ao anunciar a opção pela montadora chinesa, a administração estadual afirmou, em nota, que “nenhuma outra empresa apresentou projeto efetivo econômico que pudesse demonstrar competitividade e necessidade de seleção, caracterizando inexigibilidade licitatória”.

Em seu novo posicionamento, a Lecar afirma que o modelo 459 havia sido totalmente pensado para o Brasil e, por isso, faz sentido que rode com etanol. “Com ele, 80% das emissões de CO2 de um motor a combustão são compensadas com o seu próprio cultivo, o que fez com que priorizássemos essa matéria-prima perante um uso mais eficiente do veículo pela população.”

Sobre a desistência de produzir modelos puramente elétricos, o comunicado da Lecar reforça que os maiores problemas envolvem a instalação de carregadores.

“O custo da infraestrutura é uma das maiores barreiras, o preço de um carregador rápido gira em torno de R$ 1 milhão. E, apesar da venda de elétricos estar aquecida no Brasil, a rede de recarga não evolui na mesma proporção. Estamos muito longe de termos a quantidade necessária de carregadores para popularizar este tipo de veículo em todo o país.”

Flávio Figueiredo Assis afirmou à Folha que o desenho do modelo 459 está sendo revisto, e fez elogios aos modelos chineses. “O futuro da mobilidade é o híbrido, temos aí opções incríveis, como o Haval, que é sensacional, mas que daqui a pouco vai custar R$ 350 mil, R$ 400 mil.”

Hoje, segundo a tabela da GWM os modelos híbridos da linha Haval H6 custam entre R$ 214 mil e R$ 319 mil. Serão esses os primeiros carros produzidos pela marca no Brasil, em Iracemápolis (interior de São Paulo), a partir do segundo semestre deste ano.

A Lecar pretende competir com esses modelos, mas com preços menores. Há um segundo projeto, de um carro compacto, que também deve ser convertido para híbrido flex. A empresa ainda não divulgou planos de adesão ao programa Mover (Mobilidade Verde e Sustentabilidade), que foi sancionado nesta quinta.

O desafio de Assis, contudo, será bem maior. Todas as grandes marcas instaladas no Brasil desenvolvem modelos aptos a rodar com etanol, gasolina e eletricidade, que chegarão ao mercado a partir do segundo semestre deste ano. Atualmente, apenas os modelos Corolla e Corolla Cross, da Toyota, oferecem essa opção.

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