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Jurista retira candidatura para Suprema Corte e gera crise política na Alemanha

FolhaPress 08/08/2025 10:49

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na Alemanha, uma rara controvérsia sobre uma candidatura à Suprema Corte levou a uma disputa na coalizão governamental —e agora, a uma renúncia. Após semanas de discussões públicas, a jurista Frauke Brosius-Gersdorf renunciou voluntariamente, na quinta-feira (7), à sua candidatura para a Corte Constitucional da Alemanha.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em comunicado, ela deixou claro o motivo: alguns membros da CDU, partido conservador que governa o país junto com a sigla de centro-esquerda SPD, "rejeitam categoricamente minha eleição". Os juízes da corte são eleitos pelo Parlamento alemão, e Brosius-Gersdorf, professora da Universidade de Potsdam, foi indicada pelo SPD.

O contexto é uma discussão polêmica, descrita em parte da imprensa alemã como uma campanha difamatória, sobre a jurista. Blogs e veículos de direita passaram a suspeitar que Brosius‑Gersdorf teria cometido plágio em sua tese de doutorado —uma acusação que, na Alemanha, já levou à queda de vários políticos. Além disso, afirmou-se que ela teria posições extremas sobre o aborto.

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Em julho, parlamentares da CDU impediram a votação de sua indicação à Suprema Corte —um fato inédito na política alemã, onde os juízes raramente se envolvem em controvérsias políticas. Depois, uma investigação refutou as acusações de plágio contra Brosius-Gersdorf, mas o debate sobre a jurista só cresceu.

A posição de Brosius-Gersdorf sobre o aborto é considerada liberal, mas corresponde à opinião da maioria da população alemã. No pais, os abortos são oficialmente ilegais, mas não são punidos nos primeiros três meses de gravidez se a gestante recebeu aconselhamento médico, ou se houver uma razão de saúde ou criminal, como nos casos de estupro.

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Há muito tempo existem esforços para esclarecer essa zona cinzenta jurídica da Constituição alemã, e há a expectativa de que o tema um dia chegue à Corte Constitucional. Brosius-Gersdorf defende que, nas primeiras semanas de gravidez, o direito da mulher de decidir pela interrupção da gravidez deve prevalecer, enquanto, em estágios mais tardios, deve-se priorizar o direito à vida do feto —uma justificativa legal para o aborto que já é aplicada no país.

Mesmo assim, disseminou-se nas redes sociais a acusação de que ela apoiaria o aborto até o parto, o que não é verdade. A jurista denunciou esses ataques como "desinformação e difamação".

Brosius-Gersdorf também é criticada por ter defendido em 2021, durante a pandemia de Covid‑19, a vacinação obrigatória, que não chegou a ser implementada na Alemanha. As restrições da época, como fechamento de escolas, hoje são vistas de forma mais crítica pela população.

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Frauke Brosius-Gersdorf se defendeu publicamente na televisão alemã. Em entrevista, ela disse que a controvérsia não se tratava mais apenas dela: "Trata-se também do que acontece quando tais campanhas prevalecem, o que isso faz conosco, o que faz com o país, com nossa democracia."

No debate publico alemão, discute-se também se a forma como ela foi tratada é um caso de machismo, com profissionalismo de uma mulher sendo colocado sob suspeita. A ex-ministra das Relações Exteriores Annalena Baerbock comentou no X: "Não é coincidência que uma mulher altamente qualificada seja (novamente) derrubada por tentativas de descreditá-la."

A jurista agora se retirou voluntariamente, já que a resistência na CDU aparentemente não diminuiu e tornou sua eleição impossível. Ela quer evitar "que a disputa na coalizão se intensifique por causa da eleição de juízes", declarou. O líder da bancada da CDU, Jens Spahn, comentou: "A decisão da professora Brosius-Gersdorf merece o maior respeito."

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