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Juiz suspende julgamento do prefeito de Nova York após pedido de governo Trump

FolhaPress 21/02/2025 17:37

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O juiz distrital dos Estados Unidos Dale Ho, em Manhattan, decidiu nesta sexta-feira (21) que não irá atender imediatamente o pedido feito pelo Departamento de Justiça para arquivar acusações contra o prefeito de Nova York, Eric Adams, e nomeou um advogado para o aconselhar sobre o caso.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na prática, o julgamento de Adams por essas acusações, anteriormente previsto para ocorrer no dia 21 de abril, agora fica suspenso e sem data definida.

Na decisão, o juiz afirma que, como Adams e o Departamento de Justiça têm posições alinhadas, argumentos contrários ao pedido de arquivamento não foram devidamente explorados.

Ele disse que nomearia o advogado Paul Clement para ajudar a determinar se uma investigação adicional seria necessária antes de tomar uma decisão sobre o arquivamento das acusações.

"A nomeação é apropriada para auxiliar na tomada de decisão do tribunal", escreveu Ho. "Isso é particularmente relevante à luz da importância pública do caso, que exige uma deliberação cuidadosa."

Clement, 58, chegou a ser procurador-geral por um breve período durante a presidência de George W. Bush e, desde que retornou à advocacia privada, tem defendido causas conservadoras.

O advogado era um dos cotados pelo presidente Donald Trump, em 2020, para preencher uma das vagas abertas da Suprema Corte americana.

O gabinete do prefeito, o advogado de defesa de Adams, Alex Spiro, e o Departamento de Justiça não responderam a pedidos de comentário da agência Reuters.

SESC PICASSO

O prefeito democrata tem se aproximado de Trump, republicano, e criticou a gestão anterior de Joe Biden, quando as acusações contra ele foram apresentadas.

O Departamento de Justiça, sob ordens do procurador-geral adjunto interino Emil Bove, nomeado político e ex-advogado pessoal de Trump, pediu na semana passada o arquivamento das acusações ao juiz Ho.

Funcionários do departamento renunciaram em protesto contra o que consideram ser interferência política de Trump —antes de buscar a Justiça, Bove havia ordenado que procuradores do órgão retirassem as acusações.

Bove argumentou que o arquivamento é necessário para que Adams se concentre em reprimir a imigração ilegal, prioridade do governo Trump.

A controvérsia gerou crise política na cidade mais populosa dos EUA. Democratas afirmam que arquivar as acusações torna Adams submisso à gestão republicana federal.

Adams, 64, foi acusado em setembro passado por promotores federais, ainda durante o governo de Joe Biden, de aceitar subornos e doações de campanha de cidadãos turcos que buscavam influenciá-lo. O prefeito, que concorre à reeleição este ano, declarou-se inocente.

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Especialistas dizem que o juiz Ho não tem autoridade para obrigar o Departamento de Justiça a levar o caso em frente, caso indefira o pedido de arquivamento. A Common Cause, uma organização apartidária que promove governança responsável, em um documento enviado a Ho na segunda-feira (17), instou o juiz a considerar a nomeação de um promotor especial para dar continuidade ao caso.

Anteriormente, Bove havia ordenado à então procuradora dos EUA em Manhattan, Danielle Sassoon, que arquivasse o processo contra Adams, sob o mesmo argumento de que o caso prejudicava a candidatura do prefeito e inibia a capacidade dele de trabalhar com autoridades federais em pautas consideradas prioritárias pela Casa Branca, como a segurança pública e a migração.

Sassoon, considerada uma estrela em ascensão nos círculos jurídicos conservadores, renunciou em vez de cumprir a ordem de Bove. Outros seis promotores a seguiram. Bove afirma que a decisão de retirar as acusações não questiona os méritos do caso.

Em uma carta enviada na semana passada à procuradora-geral Pam Bondi opondo-se à diretiva de Bove, Sassoon disse que os advogados de Adams propuseram um acordo segundo o qual o prefeito ajudaria a aplicar as políticas de imigração linha-dura de Trump apenas se as acusações contra ele fossem arquivadas.

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Os advogados de Adams negaram que ele tenha trocado apoio às políticas de Trump por assistência da Casa Branca no processo em que acusado.

A agitação no Departamento de Justiça levou muitos políticos democratas de Nova York a pedir a renúncia de Adams.

Quatro membros do seu gabinete disseram na segunda-feira que planejam renunciar nas próximas semanas. A governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, também democrata e com o poder de destituir o prefeito, realizou reuniões com figuras políticas em Manhattan na terça-feira (18) sobre o futuro de Adams.

Ela afirmou que o anúncio de que as autoridades do governo renunciariam levantou "questionamentos sérios sobre o futuro de longo prazo da gestão municipal". Na quinta-feira (20), Hochul disse que não removeria Adams do cargo, mas propôs novas formas de supervisão do gabinete do prefeito.

Adams já afirmou, sem apresentar provas, que o Departamento de Justiça sob Biden apresentou as acusações como retaliação por suas críticas à política de imigração do ex-presidente democrata. Adams se aproximou de Trump nos últimos meses, visitando-o na Flórida em janeiro e mais tarde participando de sua posse.

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