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Jovem sofre racismo em jogo de vôlei sub-15 em clube tradicional de MG

FolhaPress 28/09/2024 17:32

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um atleta de 14 anos foi alvo de racismo durante jogo de categoria de base nas dependências do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O Sada Argos divulgou que o episódio ocorreu durante partida do sub-15 contra o Minas, disputada na noite da última sexta (27) nas instalações do clube quase centenário. O jogo foi válido pelo campeonato metropolitano da categoria. O nome da vítima será preservado pela reportagem.

Os ataques ao jovem jogador partiram de pais de atletas que estavam na torcida adversária. Em nota, o Sada escreveu que os agressores proferiram "comentários ofensivos", repudiou o racismo e afirmou que irá tomar "todas as providências cabíveis". Colegas de time da vítima relataram nas redes sociais que os agressores fizeram imitações de macaco após uma jogada.

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O pronunciamento da equipe foi feito após um perfil de torcedor ter denunciado o episódio. Dizendo representar torcida, familiares, amigos, comissão técnica e atletas do Sada Argo, a conta em questão publicou uma nota de repúdio, que veio a ser compartilhada pelo próprio jovem, sobre o ocorrido.

O UOL tentou contato com a assessoria do Minas Tênis Clube e aguarda resposta para atualizar o texto.

Cruzeirenses se manifestam

Jogadores do Sada Cruzeiro, o ponteiro Rodriguinho e o central Cledenilson reverberaram o caso. Eles afirmaram que não é a primeira vez que pessoas negras são alvo de racismo dentro do clube de Belo Horizonte.

Ambos fizeram críticas e cobraram ações rígidas: "Esconde debaixo do tapete e segue a vida". Os dois ponderaram que a questão não é generalizada entre sócios e integrantes das equipes.

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Cledenilson desabafou que já sofreu racismo no Minas durante sua passagem pela base do clube. O central fez um relato pessoal, detonou situações com as quais lidou e ressaltou que não vai "abaixar a cabeça".

"Dentro do clube mais 'tradicional' de Belo Horizonte, acontecendo mais um caso de racismo, dessa vez para com os meninos do sub-15. Um absurdo, e acontece o quê? Esconde debaixo do tapete e segue a vida. Muitos infelizmente já passaram por isso. Cabe a nós como sociedade não aceitar esse tipo de atitude", comentou Rodriguinho.

"Gente, lembrando que não é uma generalização com o clube e com todas as pessoas que são atletas, que frequentam, sócios. Tenho certeza que a maioria se posicionaria contra, os atletas, comissão, todo mundo, mas não é a primeira vez que acontece. Então tem que ter uma política um pouco mais rígida com esses casos", finalizou Rodriguinho.

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"Um sócio fez gestos de macaco para um menino de 14 nos. Como já fui atleta do Minas, sei bem como isso é dentro do clube. A gente que vem de baixo, preto, favelado, merece respeito. A gente não pode esconder, eu já sofri muito racismo lá no Minas, sempre escondendo. Estou muito chateado, a gente merece espeito independentemente da cor, de onde vem", disse Cledenilson, que ainda completou.

"Depois que cheguei lá, primeira coisa que me mandaram fazer foi cortar o cabelo, não sei o porquê. Não vai ser clube com ou sem tradição ou sócio nenhum que vai pisar na gente. Não estou para generalizar nada, sofri racismo muito tempo e não baixei minha cabeça. Muitos falaram que fui embora do Minas por causa de dinheiro, ninguém abe o que a gente passa. Tem que respirar fundo, essas coisas fica aqui para desembuchar tudo o que já aconteceu comigo lá naquele clubezinho."

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