A demissão de Fernando Diniz pelo Corinthians levou o jornal espanhol AS a classificar o Brasil como um "triturador de treinadores". Em análise publicada nesta quinta-feira, o diário contrapõe o protagonismo dos clubes brasileiros na América do Sul à dificuldade de manter seus projetos esportivos. A saída do treinador elevou para 19 o número de demissões desde o início do Campeonato Brasileiro, que está na 29ª rodada.
Diniz perdeu o cargo na quarta-feira, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio, a sétima consecutiva do Corinthians no Brasileirão. O resultado deixou a equipe paulista na 16ª posição, com 32 pontos, apenas um acima do próprio adversário, que abre a zona de rebaixamento. Contratado em abril para substituir Dorival Júnior, o técnico encerrou sua passagem com 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas em 33 partidas.
O caso chama atenção porque Diniz já havia sido dispensado pelo Vasco nesta edição do campeonato, em fevereiro. Assim, as 19 demissões correspondem a 18 profissionais, com o treinador aparecendo duas vezes na relação. Corinthians, Vasco, São Paulo, Botafogo, Chapecoense e Remo trocaram de técnico mais de uma vez durante a competição.
A instabilidade também atingiu profissionais com títulos recentes. Filipe Luís deixou o Flamengo em março, meses depois das conquistas do Brasileirão e da Libertadores de 2025. Tite perdeu o cargo no Cruzeiro após conquistar o Campeonato Mineiro, enquanto Dorival foi dispensado pelo Corinthians mesmo tendo vencido a Copa do Brasil de 2025 e a Supercopa do Brasil de 2026.
Nem uma boa posição na tabela garantiu continuidade. Hernán Crespo foi demitido pelo São Paulo após um início invicto no Brasileiro, com três vitórias e um empate. Seu sucessor, Roger Machado, também acabou desligado, em maio, depois da eliminação na Copa do Brasil, embora a equipe estivesse no G-4 da competição nacional e liderasse seu grupo na Copa Sul-Americana.
Para o AS, a sucessão de mudanças expõe um contraste com os resultados continentais. Flamengo, Palmeiras e Fluminense estão nas semifinais da Libertadores, assegurando ao menos um representante brasileiro na decisão. O domínio fora do País, observa o jornal, convive com a fragilidade dos trabalhos e a pouca estabilidade nos bancos de reservas.