Traçado com avenidas diagonais e ruas convergindo para praças nasceu de projeto aprovado em 1952 e ajudou a criar a identidade urbana do bairro
O desenho urbano de Jardim da Penha, conhecido pelas avenidas diagonais e ruas que se encontram em praças, começou a tomar forma há 74 anos. O projeto do loteamento foi aprovado pela Prefeitura de Vitória em 1952 sobre uma área que, até então, era ocupada pela antiga Fazenda Mata da Praia.
O traçado fugia do modelo tradicional de ruas paralelas e perpendiculares. Inspirado em conceitos urbanísticos modernos e no modelo das cidades-jardim, o projeto colocou as praças como elementos centrais e previu áreas verdes integradas ao espaço urbano.
Antes da urbanização, a região fazia parte da área rural do município. A Fazenda Mata da Praia, também conhecida como Sítio Queiroz, foi registrada em 1891 em nome do capitão Justiniano Azambuja Meyrelles e era cercada por Mata Atlântica, restinga e espécies como cajueiros, bromélias, goiabeiras, palmeiras e orquídeas.
A expansão da cidade para a parte continental ganhou força com a construção da Ponte da Passagem, entre 1927 e 1930. A ligação facilitou o acesso à região e abriu caminho para os primeiros projetos de loteamento.
Nos anos 1950, os empresários Creso Euclides e Manuel Pinto retomaram a ideia de urbanizar as terras da antiga fazenda. O projeto previa 13 quadras e aproximadamente 1,4 mil lotes, com áreas entre 380 e 400 metros quadrados.
A ocupação ganhou velocidade a partir da década de 1960, acompanhando o crescimento industrial e populacional da Grande Vitória. A expansão do Porto de Tubarão, da então Companhia Vale do Rio Doce, do aeroporto e da Universidade Federal do Espírito Santo contribuiu para atrair novos moradores para a região.
Até o fim daquela década, Jardim da Penha ainda tinha poucas casas, ruas sem pavimentação e praticamente nenhuma estrutura comercial ou de serviços. A transformação se intensificou nos anos 1970, quando a construção civil avançou e mais de mil apartamentos foram erguidos em edifícios de quatro pavimentos.
A abertura e pavimentação das avenidas Fernando Ferrari e Dante Michelini também mudaram a mobilidade do bairro e ampliaram sua conexão com outras áreas da capital.
As pontes tiveram papel importante nessa integração. A primeira ligação entre a Praia do Canto e Camburi foi construída em 1966. Depois vieram novas estruturas e ampliações, como a Ponte Ayrton Senna, inaugurada em 1996, além da duplicação das ligações existentes.
Atualmente, Jardim da Penha tem cerca de 45,4 mil habitantes e é o segundo bairro mais populoso de Vitória, atrás apenas de Jardim Camburi, segundo o Censo 2022 do IBGE.
O bairro reúne hoje ampla infraestrutura urbana, comércio, serviços, áreas de lazer e vias importantes, mantendo como uma de suas marcas o traçado que ainda confunde quem não está acostumado com suas ruas e praças
Fonte: Arquivo Municipal de Vitória