Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h02m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Israel retoma registro de terras na Cisjordânia ocupada e provoca acusação de "anexação"

Estadão Conteúdo 15/02/2026 15:27

O governo de Israel anunciou neste domingo, 15, a retomada de um processo de regulamentação de terras em grande parte da Cisjordânia ocupada que, na prática, pode resultar no avanço do controle da região por israelenses.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Trata-se da retomada dos processos de "assentamento de título de terra", que estavam congelados na Cisjordânia desde a Guerra do Oriente Médio em 1967. Quando Israel iniciar o processo de registro de terras em uma determinada área, qualquer pessoa com uma reivindicação sobre a terra deve apresentar documentos comprovando a propriedade.

Nos últimos meses, Israel já vinha expandindo a construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia, legalizou postos avançados e fez mudanças burocráticas significativas em suas políticas no território para fortalecer seu domínio e enfraquecer a Autoridade Palestina.

Em comunicado de hoje, o Ministério das Relações Exteriores de Israel disse, sem oferecer evidências, que a Autoridade Palestina estava "avançando com procedimentos ilegais de registro de terras na Área C" e que a decisão de hoje foi tomada para maior transparência.

SESC PICASSO

De acordo com o grupo israelense anti-assentamento Peace Now, a iniciativa provavelmente equivale a uma "mega apropriação de terras" dos palestinos. "Este movimento é muito dramático e permite que o estado ganhe controle de quase toda a Área C", disse Hagit Ofran, diretor do programa Settlement Watch do Peace Now, em referência à região que corresponde a 60% da Cisjordânia e está sob total controle militar israelense, de acordo com acordos alcançados na década de 1990 com os palestinos.

CONTADOR - BONUS

Ofran disse ainda que o processo para provar a propriedade raramente é transparente, de modo que, provavelmente, qualquer terra que passe pelo processo de registro em áreas atualmente pertencentes a palestinos passará ao controle do Estado israelense. "Os palestinos serão enviados para provar a propriedade de uma forma que nunca conseguirão fazer", disse Ofran à Associated Press.

O escritório do Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, também em comunicado, chamou a decisão de "uma grave escalada e uma flagrante violação do direito internacional", que equivale a uma "anexação de fato". Ele apelou à comunidade internacional, especialmente ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e aos Estados Unidos, para intervir imediatamente.

Compartilhe esta notícia
Anuncio - Raimundo - Bonus

Notícias Relacionadas