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Israel identifica corpo de último refém do Hamas e reabre parcialmente fronteira de Rafah

Estadão Conteúdo 27/01/2026 03:04

Israel informou nesta segunda-feira, 26, que os restos mortais do último refém mantido na Faixa de Gaza foram identificados. O corpo de Ran Gvili está sendo repatriado para Israel, onde será sepultado. O anúncio encerra um processo que se estendeu por mais de um ano para localizar e devolver os 251 reféns capturados por militantes do grupo terrorista Hamas durante o ataque ao território israelense em outubro de 2023.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou que o país cumpriu a promessa de trazer todos os reféns de volta. "Trouxemos todos de volta, até o último", disse a jornalistas no Parlamento, classificando a operação como "uma conquista extraordinária para o Estado de Israel".

A devolução do corpo de Gvili ocorreu no contexto da primeira fase do acordo de cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos, iniciado em 10 de outubro, com o objetivo de interromper os combates em Gaza. O Hamas declarou que a entrega demonstrou o "compromisso" do grupo com o acordo, que entrou em sua segunda fase no início deste mês.

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A família de Gvili havia se manifestado publicamente contra o avanço da nova etapa do cessar-fogo antes da localização e devolução dos restos mortais do jovem. Em comunicado, as Forças Armadas israelenses informaram que representantes do Exército notificaram oficialmente os familiares de que Ran Gvili foi identificado e será enterrado em Israel. "Com isso, todos os reféns foram devolvidos da Faixa de Gaza ao Estado de Israel", afirmou a nota.

Imagens divulgadas pelos militares mostram o caixão coberto com a bandeira israelense, cercado por soldados que entoavam o hino nacional.

Gvili, de 24 anos, era policial da unidade de elite Yassam. Ele estava afastado por licença médica antes de uma cirurgia no ombro quando o Hamas lançou o ataque de 7 de outubro de 2023. Ainda assim, decidiu deixar sua casa, pegou sua arma pessoal e seguiu para o sul de Israel.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, afirmou que a identificação do corpo marca um momento histórico. "Após muitos anos difíceis, pela primeira vez desde 2014, não há cidadãos israelenses mantidos como reféns em Gaza. Uma nação inteira rezou e esperou por este momento", declarou.

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O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou que a devolução do corpo confirma o cumprimento integral do acordo de cessar-fogo por parte do Hamas.

Autoridades israelenses haviam informado no domingo que forças militares realizavam buscas pelos restos mortais de Gvili em um cemitério no norte de Gaza. O anúncio ocorreu após pressão de enviados dos Estados Unidos para que Israel reabrisse a passagem de Rafah, ponto estratégico para a entrada de ajuda humanitária no território palestino.

Nesta segunda-feira, 26, Israel confirmou a reabertura parcial da passagem, permitindo apenas a travessia de pedestres em direção ao Egito. A medida faz parte da trégua mediada pelos americanos.

Apelidado de "Defensor de Alumim" por familiares e moradores do kibutz homônimo, Gvili foi morto em combate próximo à comunidade, e seu corpo levado para Gaza por integrantes do Hamas. Seus pais foram informados oficialmente da morte em janeiro de 2024.

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"Ele correu para ajudar, para salvar pessoas, mesmo já estando ferido antes de 7 de outubro", disse o pai do jovem à AFP em dezembro. "Esse era o Rani: sempre o primeiro a ajudar e o primeiro a entrar em ação."

Em nota, o Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos descreveu Gvili como "um verdadeiro amigo, amado por todos", destacando que ele "amava a vida" e tinha "valores profundos e uma presença poderosa, mas serena".

A guerra em Gaza começou após o ataque do Hamas a Israel, que deixou 1.221 mortos, segundo dados compilados pela AFP com base em números oficiais israelenses. A ofensiva israelense em resposta devastou grande parte do território palestino, já fragilizado por conflitos anteriores e pelo bloqueio imposto desde 2007.

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, ao menos 71.660 pessoas morreram no território desde o início da guerra, números considerados confiáveis pela Organização das Nações Unidas (ONU).

*Com informações da Associated Press.

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