Israel ataca escola da ONU e diz ter matado membros do Hamas; Gaza fala em 40 mortos

Desde 7 de outubro, após a eclosão da guerra na Faixa de Gaza, mais de 15 mil crianças palestinas foram assassinadas pelo regime israelense no enclave costeiro, conforme informou o Ministério da Educação palestino. Foto: IRNA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Israel bombardeou uma escola da ONU na Faixa de Gaza nessa quarta-feira (5) dizendo que o prédio abrigava um posto de comando do Hamas, mas o diretor do escritório de mídia do governo de Gaza, administrado pelo Hamas, Ismail Al-Thawabta, e um funcionário do Ministério da Saúde disseram à Reuters que 40 pessoas foram mortas e 73 ficaram feridas no ataque.

Os dois funcionários acrescentaram que 14 crianças e 9 mulheres foram mortas.

Uma autoridade do governo do território, que é controlado pelo Hamas, rejeitou a afirmação de Tel Aviv de que o prédio em Nuseirat, na região central de Gaza, era utilizado pelo grupo terrorista. “[Israel] mente e inventa histórias para justificar o crime brutal que cometeu contra dezenas de pessoas deslocadas”, disse Ismail Al-Thawabta à agência de notícias Reuters.

As Forças Armadas de Israel disseram que, antes de aviões bombardearam o local, medidas foram tomadas para reduzir o dano a civis —mas não especificou que medidas foram essas. O exército disse que a operação matou terroristas envolvidos com o ataque de 7 de outubro que serviu de estopim para o conflito atual.

O bombardeio acontece no momento em que a pressão internacional aumenta para que Tel Aviv e o Hamas aceitem a proposta de cessar-fogo apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Entretanto, o governo israelense já disse que não vai interromper as ações militares em Gaza durante as negociações.

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, disse na quarta que uma das exigências do grupo terrorista no acordo era que haja um fim permanente para o conflito atual. Embora isso estivesse previsto no plano de Biden, apresentado no último dia 31, Israel insiste que só encerrará a guerra com a destruição completa do Hamas —criando um aparente impasse.

No discurso em que apresentou o acordo, Biden disse que as negociações levariam a um “dia seguinte” para a Faixa de Gaza sem o Hamas no poder, mas não está claro como isso seria possível. Depois de meses de bombardeios e mais de 36 mil palestinos mortos em Gaza, o Hamas não dá sinais de que perdeu a coesão e a capacidade de agir como grupo.

A proposta de Biden prevê três fases: na primeira, haveria um cessar-fogo completo por seis semanas, Israel retiraria todas as tropas das áreas habitadas da Faixa de Gaza, e reféns sequestrados pelo Hamas nos ataques de 7 de outubro seriam libertados em troca da soltura de centenas de prisioneiros palestinos.

Na segunda, o Hamas e Israel negociariam um fim permanente para a guerra, e o cessar-fogo continuaria em vigor durante essas negociações —ponto já rejeitado por Tel Aviv. A terceira fase consistiria de um plano de reconstrução do território palestino.

Assim, a resposta de Haniyeh, junto com ameaças de parceiros da coalizão de Binyamin Netanyahu que ameaçam abandonar o governo caso o acordo seja aceito, torna distante, mais uma vez, a possibilidade de um cessar-fogo.

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